09 de julho de 2026
Rural

Região de Bauru terá 60% da produção estadual de laranja até o ano de 2010

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 5 min

Boa notícia para os atuais e futuros produtores de laranja de Bauru e região. De acordo com estimativas da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), o cultivo regional da fruta deverá responder por até 60% da produção de todo o Estado de São Paulo até 2010. Entre os novos “pomares” estão Bauru, Lins, Ourinhos, Avaré, Botucatu e Itapetininga.

O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Ademerval Garcia, durante entrevista coletiva realizada na última quarta-feira para divulgar números referentes ao balanço final do setor em 2007 e as perspectivas de produção e novos negócios para o próximo ano.

A estimativa é apontada em virtude da expansão que vive o setor. A indústria de suco de laranja deve faturar cerca de US$ 2,3 bilhões em exportações, o que resulta em aumento substancial de US$ 1,46 bilhão vendidos no ano passado. Nos últimos dez anos, a exportação de suco concentrado cresceu 30%. No mesmo período, a produção estadual de laranja subiu 34%, indo de 269 milhões de caixas, em 1991, para 360 milhões atualmente.

Os dados pertencem ao Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, e do AgraFNP, que indicam ainda aumento da produtividade em 70%, embora a área plantada de citros no Estado diminuiu 27% - caiu de 789 mil hectares para 572 mil hectares.

O consumo de suco na América do Sul cresce na velocidade de 7,5% ao ano. Cada brasileiro ingere quatro litros de suco concentrado e 2 litros de suco pronto por ano. O mercado interno possui grande potencial de crescimento também em virtude de tendência mundial para a aquisição de hábitos mais saudáveis.

Um dos motivos do aumento da produção paulista, e em especial na região, é a capacidade ociosa da indústria, que gira em torno de 35% e que deve ser ocupada com o aumento do plantio.

Para o presidente da Abecitrus, municípios que estavam sujeitos a doenças por muito tempo, como Avaré e Piratininga, limitaram o desenvolvimento da região. “O surgimento de novas tecnologias e sistemas de proteção mais eficazes permitem o desenvolvimento da região, além de terras mais baratas”, explica. “Isso seria uma alternativa às regiões Norte e Nordeste especialmente devido ao clima, mais frio, e suas doenças específicas”.

Mesmo cercado de rodovias, Garcia afirma que a logística para o escoamento da produção não favorece Bauru, mas que o fato não seria “uma razão, nem impedimento”, para o plantio, que sairia mais dispendioso em relação a Araraquara, um dos grandes produtores do Estado. Como alternativa, Garcia diz que o produtor pode ou não plantar próximo a fábricas.

“Esse é um custo (logística) do produtor, do fazendeiro, ainda que tenha que transportar para fábricas mais ao norte, pode compensar e ele acaba plantando mesmo diante desta dificuldade”.

Caso seja confirmada a expectativa de produção em três anos, o desenvolvimento econômico que a medida traria para Bauru seria enorme. O campo abriga um trabalhador para cada dois hectares. Para se ter uma idéia, uma pessoa sozinha é responsável por 500 alqueires de gado. Para 500 alqueires de laranja são necessários 100 trabalhadores, além da contratação de motoristas e trabalhos indiretos através de viveiros que seriam instalados e a própria colheita.

A conta é simples. Em propriedades modernas, a mão-de-obra necessita de qualificação especial e o mercado não se restringe apenas ao chamado “chão de fábrica”, mas também a agrônomos e biólogos, entre outros.

A laranja colhida pode virar suco ou alimento. “A decisão é do produtor. Se ele quiser produzir para o mercado interno, ele tem que ter maior cuidado com a aparência da fruta. Para a indústria, nos interessa a fruta por dentro, e não por fora. Depende do tipo de dedicação que ele pretende dar à propriedade.”

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Números em São Paulo

Estima-se que até 2010 o Estado de São Paulo tenha até 600 mil hectares, dos quais metade (300 mil) voltados para a citricultura.

De acordo com o engenheiro agrônomo Sérgio Mitsuo Ishicava, diretor de agricultura da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), existe a possibilidade de grande área destinada a pastagem dar lugar a outras culturas, como a laranja, por questão de rentabilidade.

Bauru possui área total de 67.500 hectares, dos quais 56 mil são áreas rurais e 11 mil área urbana. Do total rural, 80% é tomado por pastagens, 7,5% vegetação natural, 4,8% cultura perene (como a citricultura), 4% cultura temporária (milho, hortaliça, etc.) e 1,7% destinada ao reflorestamento, principalmente eucalipto. Especificamente as destinadas à cultura perene, são 1.550 hectares (a área total é de 2.700 hectares) voltados para a laranja de mesa e limão.

Para atender a demanda, o Brasil conta com novos pólos produtivos. Cresce o número de indústrias de processamento e de pomares em outros Estados brasileiros, como Pará, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Sergipe. Juntos exportaram 100 mil toneladas de sucos na atual safra, cerca de 5% da produção paulista.

Em busca do aprimoramento de tecnologias, o Estado de Sergipe adotou as mesmas leis fitossanitárias de São Paulo. Já são mais de um milhão de mudas em viveiros telados. Em Minas Gerais, a expansão dos pomares atingiu até a rede elétrica, onde foi realizado investimento de R$ 25 milhões no Triângulo Mineiro apenas para garantir a irrigação da produção de laranja.

Em São Paulo, o movimento continua para o Sul e a produção de mudas mostram que a atividade permanece aquecida. Só este ano foram plantadas 16 milhões de mudas e há ainda outras 20 milhões em produção nos viveiros telados. A plantação de laranja no Estado não sofre concorrência de terras com a cana-de-açúcar.