A regional de Bauru da Central Única dos Trabalhadores (CUT) ainda não cumpriu o compromisso de instalar poço para o abastecimento de água para o Assentamento Terra Nossa, regularizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no mês passado. A CUT prometeu, no dia 10 do mês passado, resolver o problema pendente desde 2005, quando a entidade ficou como depositária de 20 mil euros doados ao assentamento por sindicalistas espanhóis.
Dois anos depois, os assentados ainda esperam a benfeitoria cujo financiamento foi conq uistado através da Comissão de Obreras de Asturias, formada por sindicalistas espanhóis que em visita na época ao então acampamento verificaram a precariedade das instalações dos agricultores sem terra.
Indagada sobre o assunto no início do mês passado, a regional da CUT argumentou que o acampamento foi regularizado pelo Incra como assentamento somente nesta fase. Com isso, a perfuração do poço teria sido autorizada somente no segundo semestre deste ano, o que justificaria a demora no processo.
Quanto à aplicação dos recursos destinados aos assentados, através da Central, a CUT disse que a empresa contratada para entregar e instalar o equipamento, a Constroli de Minas Gerais, prometeu transportar o equipamento para Bauru no início do mês passado. Segundo a CUT Bauru, a instalação seria feita em apenas três dias da chegada do componente.
O fato é que na próxima segunda-feira a promessa completa mais 30 dias sem ter sido cumprida. O presidente da associação dos assentados, Celso Lis Costa, lamenta que o dinheiro doado à CUT ainda não tenha sido aplicado. O diretor da entidade, Francisco Wagner Monteiro, não foi localizado ontem para comentar a pendência.
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Projetos na União
A história de 154 famílias de trabalhadores rurais instaladas no Terra Nossa, na divisa de Bauru com Pederneiras, começou a mudar desde novembro passado, com o assentamento de 1.662 hectares pelo Incra. A União assumiu a titularidade de 5.199 hectares de glebas no Horto Aimorés, parte em Bauru e parte em Pederneiras, e iniciou o processo de ocupação legal com o assentamento das famílias da área I.
Nesta semana, Celso Lis Costa foi à Brasília (DF) protocolar projetos de financiamento de assentados, com verba a fundo perdido, em cinco ministérios. Os programas têm a articulação política do deputado Vicente Paulo da Silva (Vicentinho), com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, ambos do PT, e do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B).
Os programas pleiteados somam cerca de R$ 700 mil. No Ministério da Ciência e Tecnologia, o Terra Nossa pediu R$ 92 mil para três salas de inclusão digital no assentamento. A extensão de energia elétrica está sendo pleiteada para o início de 2008 junto à CPFL local, através da ação federal Luz para Todos.
No Ministério de Pecuária e Abastecimento, o pedido é de R$ 100 mil para compra de um resfriador de leite e equipamento de ordenha. Na área de Esportes, o assentamento pleiteia R$ 200 mil para instalar quadra poliesportiva coberta na zona rural. A Prefeitura de Pederneiras vai limpar o terreno e realizar a terraplanagem.
Os programas, se liberados, devem ser executados através de Pederneiras. Pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário está sendo solicitado R$ 100 mil para estufas e mais R$ 150 mil para uma farinheira industrial. No Desenvolvimento Social, o protocolo foi de R$ 150 mil de recursos para uma cozinha industrial, com manufatura dos produtos a serem produzidos no projeto de agricultura familiar.
A construção de casas para 154 famílias em processo de repartição de lotes para produção agrícola está com processo em andamento junto à Caixa Econômica Federal (CEF), com financiamento de R$ 5,9 mil por unidade, além de outros R$ 7 mil prometidos pelo Incra.