Cerca de 14 índios de aldeias de Avaí (39 quilômetros de Bauru) permaneceram, ontem, na sede regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Bauru até o final da tarde.
A presença dos indígenas foi entendida como ocupação pela direção da Funai, que ontem pediu reintegração de posse da sede à Justiça Federal em Bauru. Em seu despacho, o juiz federal da 3.ª Vara, Roberto Lemos dos Santos Filho, determinou, para segunda-feira, a partir das 14h30, uma inspeção judicial no imóvel da Funai e tentativa de acordo.
A reportagem do JC apurou, junto à segurança do órgão federal, que até 17h30 de ontem, um grupo de índios permaneceu nas dependências da Funai, na rua Xingu, número 4-44. A ocupação do imóvel foi para protestar contra a demora na nomeação de um administrador interino para órgão.
No final de novembro, o vereador Paulinho Terena e o cacique Anildo Lulu estiveram em Brasília na Secretaria do Gabinete da Funai onde receberam um documento em que o órgão prometia definir a situação da regional de Bauru, coisa que não ocorreu, segundo os indígenas.
O órgão está sem um administrador desde o dia 21 do mês passado, quando os índios da aldeia Tereguá, da Reserva Indígena de Araribá, em Avaí, exigiram a saída do então administrador substituto da regional, Cristino Aparecido Cabreira Machado.
De acordo com o vereador Paulinho Terena, o prazo para que o órgão nomeasse o funcionário de carreira Emílio Pereira Barbosa Neto já se esgotou. O servidor federal foi indicado pelos índios para assumir temporariamente a administração da regional.
“Fomos em Brasília e fomos enganados. Eu acho que o presidente da Funai não pode enganar representantes indígenas e nem mesmo vereador eleito pela comunidade indígena de Avaí. Nós fomos lá dia 29 de novembro. Prometeram que estariam indicando de imediato um substituto, que seria o Emílio Barbosa, e fomos enganados durante duas semanas”, alega o vereador.
Novo nome
Paulinho Terena e o cacique Lulu também querem que a presidência da Funai em Brasília marque a data para a reunião geral onde as lideranças indígenas devem propor um novo nome para ocupar a administração da regional em Bauru.
“Nós já temos um nome para assumir a administração. É um índio Terena, Dionízio Vargas. Nós fomos em Brasília e protocolamos o documento dele e não tivemos nenhuma resposta. Ele é de São Paulo, formado em economia e é capitão aposentado do Exército”, explica o vereador.
Cacique Lulu lembra que a sede regional da Funai não pode ficar sem um responsável para não prejudicar os trabalhados desenvolvidos pelo órgão com as aldeias indígenas. “Nós pleiteamos isso para que não venha a prejudicar o andamento da Funai, tanto na demarcação de terras quanto nos pagamentos. Ele (Emílio) assumiria até que se marque a reunião geral para definir se o índio Dionízio seja indicado pelas lideranças indígenas para assumir a administração em definitivo”, diz Lulu.
O integrante da tribo Tereguá, Anildo Lulu, o vereador Paulinho Terena e demais caciques que ocuparam a sede da Funai disseram que deixariam o local somente após o retorno do órgão em Brasília, marcando a data da reunião. “Eles têm que definir a data e passar para a gente. Se isso acontecer, nós retornamos, senão vamos permanecer até que enviem esta data para nós”, conclui Lulu.