Quando se formaram em jornalismo e deixaram Bauru, há exatamente um ano, Bruno Guerra e Diego Bravo partiram para a Capital em busca de “mais espaço” para suas matérias e música. São Paulo foi quem contribuiu - tanto com seu cinza como com a entrada do músico e também jornalista Juliano Domingues - para o som mais pesado do último trabalho, “Moonrise”, que a Strange Music acabou de lançar pelo próprio selo, o Strange Records.
E foi Bauru - a primeira cidade a receber a proposta instrumental e inusitada do que no início era um duo - o lugar escolhido para divulgar o trabalho. Com a nova formação, a banda se apresenta hoje, a partir das 22h, no Bar do Espanhol. Para esquentar a noite, haverá open bar de Orloff até meia-noite e discotecagem de black music do Projeto Afroências.
“Temos muita saudade do público de Bauru, das apresentações em festas de república. Porque aí o pessoal costuma ser aberto à música não convencional”, diz Guerra, uma das guitarras da banda. Em São Paulo, os músicos mantiveram a proposta underground, com shows em espaços alternativos, como o bar-brechó Túnel do Tempo e o Cerveja Azul, na Mooca.
As conseqüências dessa mudança de endereço foram transmitidas para “Moonrise”. “Passamos um tempo recolhidos, só estudando programação eletrônica. Conseguimos batidas mais realistas e as composições ficaram mais maduras”, analisa o músico.
Muito dessa guinada estética foi causada por Juliano, também formado no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que entrou na banda com sua pegada black assumindo a guitarra e o baixo.
“Nós já tínhamos uma influência black, mas o Juliano foi mais uma força para levar o som para esse lado”, conta Guerra. “O som da Strange Music se assemelha agora a um cabaré eletrônico/orgânico experimental, com toques de soul e funk, mas sem perder a inclinação ao rock alternativo e ao ambient”, continua.
Disco
Enquanto o clima da estréia com “For Ordinary People”, em 2006, era mais juvenil e bastante calcado no rock alternativo, o novo trabalho “Moonrise” – que, em uma tradução livre, significa “nascer da Lua” - evoluiu a tendência de buscar novas referências, iniciada com o EP “Estranhos em Wonderland”, lançado no ano passado.
“Quando a gente começou a compor para o novo disco, queríamos uma sonoridade mais noturna, sensual. Algo que as pessoas pudessem dançar e relaxar, um clima lounge e ao mesmo tempo forte”, define Bruno Guerra. Ele foi uma das primeiras guitarras da banda, que se uniu a de Diego Bravo, em 2006, para criar composições instrumentais com bases eletrônicas.
Com a entrada de Juliano e a inserção de mais uma guitarra e, por vezes, um baixo, os músicos gravaram as 11 faixas do novo CD entre abril e novembro deste ano no pseudo-estúdio Nosso Locus, em São Paulo.
Pela primeira vez em um disco da Strange Music, apareceram vozes não-sintetizadas em faixas que não necessariamente possuem letras, mas “intervenções vocais”. “A maioria das pessoas costuma enxergar a voz como um fio condutor da música, mas, na Strange Music, isso não acontece”, afirma Guerra.
As músicas do trio podem ser conferidas na página da banda no Trama Virtual (www.tramavirtual.com.br/strange_music). Algumas delas também estão disponíveis no MySpace (www.myspace.com/musicaestranha). “Moonrise” será vendido nos shows e pelo e-mail: projetostrangemusic@gmail.com
• Serviço
Strange Music se apresenta hoje, a partir das 22h, no Bar do Espanhol (rua Piauí 8-55). Mais informações: (14) 3227-6625.