10 de julho de 2026
Geral

Metade das vagas de emprego não tem candidatos qualificados em Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Está sobrando vaga no mercado de trabalho de Bauru e região. O motivo: faltam candidatos com qualificação para atender as necessidades das empresas. Priscila César Monteiro, 35 anos, consultora de recursos humanos, cita como exemplo dessa realidade a dificuldade da agência onde trabalha em preencher todas as vagas disponíveis.

Segundo ela, são cerca de 160 empregos oferecidos todos os meses. Na melhor das hipóteses, a agência consegue encontrar profissionais para preencher apenas metade dessas vagas. “Se conseguimos fechar 80, é muito”, afirma. “Só não fechamos mais por falta de qualificação profissional. Emprego tem.”

De acordo com a consultora, não é somente a qualificação precária que impede o preenchimento das vagas. Tem emprego que poucos aceitam em razão do nível de esforço necessário. Priscila conta que um candidato chegou a chorar diante dela, dizendo que estava passando fome e precisava de um emprego. Ela perguntou, então, se ele aceitava trabalhar com carga e descarga de botijão de gás em uma empresa multinacional, com direito a carteira assinada e todos os demais benefícios.

O candidato simplesmente recusou a oferta. “As pessoas estão escolhendo onde querem trabalhar”, comenta a consultora. Segundo ela, para quem realmente está disposto a trabalhar, tendo ou não qualificação, também não falta emprego.

Ela revela que existe uma empresa de Holambra que precisa de um supervisor de vendas com experiência no ramo de alimentos e para isso aceita pagar um salário de R$ 5 mil, considerado acima da média para a função. Nem assim a agência conseguiu achar um candidato para preencher a vaga. A busca já dura cerca de dois meses.

Uma empresa de Bauru, por sua vez, está precisando de um profissional para a área comercial que fale espanhol fluentemente. Em duas semanas, nenhum candidato com essas características foi encontrado. Pelo menos, nenhum que aceitasse a proposta salarial da empresa. Por se tratar de profissionais raros no mercado de trabalho, eles pedem salários acima da média para aceitar o novo emprego.

Outra agência de recursos humanos em Bauru está há seis meses a procura de um programador de PHP (linguagem de computador) e não consegue preencher a vaga. De acordo com a consultora da agência, Carmen Lucila Lobato de Oliveira, 37 anos, o profissional da área prefere trabalhar por conta própria do que ser contratado por uma empresa. É mais rentável.

O salário de um programador de PHP varia de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil. Trabalhando como autônomo, ele consegue um rendimento maior do que isso.

Da mesma forma, as agências de RH têm encontrado sérias dificuldades para encontrar eletricistas, pintores e mecânicos, entre outros profissionais essencialmente autônomos, para trabalhar em empresas. O motivo é o mesmo. Trabalhando por conta própria, eles conseguem ganhar mais do que uma empresa aceita pagar.

Outra vaga que está há bastante tempo a espera de profissional qualificado, segundo a consultora da assessoria bauruense, é para programador que saiba usar a linguagem Uniface, voltada mais para a indústria da moda. Uma empresa da região está há três meses esperando por esse profissional.

Segundo Lucila, a agência teve de procurar candidatos em locais onde o ramo da tecelagem está mais desenvolvido, como no Estado de Santa Catarina e nas cidades de São Paulo e Salvador. A tática deu certo. O profissional foi encontrado e agora depende da negociação com a empresa para ser finalmente contratado.