Começou, na última quinta-feira, a maratona de final de ano para os cerca de 1,5 mil funcionários do comércio do Calçadão de Bauru. Serão 219 horas de trabalho - quase que ininterruptas - até o dia 24, data que marcará o encerramento oficial da temporada natalina. No decorrer do período, vendedores das 130 lojas instaladas no local certamente terão de se digladiar para conquistar as dezenas de milhares de consumidores e curiosos que irão passar pelo Centro.
Luzes coloridas, músicas com temática natalina, locutores animados e vendedores ultra-simpáticos são alguns dos estratagemas adotados pelos estabelecimentos para atrair a atenção dos clientes. A razão para esse esforço coletivo está na enorme quantidade de dinheiro extra que deve entrar em circulação na praça até as vésperas do feriado: cerca de R$ 60 milhões, decorrentes, principalmente, do 13.º salário que deve ser pago aos trabalhadores bauruenses até o próximo dia 20. “Será o melhor Natal dos últimos cinco anos”, acredita o presidente da Associação Comercial de Bauru, Benedito Luiz da Silva.
Ampliação das linhas de créditos, aumento do poder de compra da população e melhora dos níveis de emprego do País são alguns dos fatores que, segundo ele, podem ajudar a aquecer os negócios do comércio de Bauru neste final de ano.
A Associação das Empresas do Calçadão (AEC) projeta um crescimento de 8% no volume de vendas para este Natal em relação ao mesmo período do ano passado. “Desde o dia 1 de dezembro já temos sentido um movimento diferenciado na região central da cidade”, lembra Luiz Otaviano Machado, presidente da entidade.
A AEC calcula que o número de vendedores, caixas, balconistas e atendentes de loja tenha aumentado em 40% na região do Calçadão, em comparação com os demais meses do ano. Dados do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Bauru apontam que, em épocas normais, o setor costuma empregar cerca de 7,5 mil pessoas. No Natal, o número de comerciários na cidade sobe para 8.500. Desse total, aproximadamente 60% são mulheres.
13 horas em pé
Nem sempre os números são capazes de dar a dimensão de uma realidade. Um em especial, porém, é capaz de descrever o quanto a maratona de final de ano pode ser desgastante para um trabalhador do comércio: 13 - o número de horas que um vendedor de loja tem de passar em pé nos dias de semana de dezembro .
Na última quinta-feira, resolvi encarar de perto da rotina dos vendedores. Deixei o gravador e a caneta na redação e rumei para a Casa Burgo, na quadra 1 do Calçadão. Inaugurado há quase seis décadas, o estabelecimento é um dos mais antigos da região central de Bauru.
Nos anos 50, 60 e 70, época em que os passageiros lotavam as estações da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e da Companhia Paulista de Trens, a região era considerada uma das mais movimentadas de Bauru.
“Nos dias de pagamento da Noroeste, isso aqui se transformava em um verdadeiro formigueiro. Até bolivianos (da região de Corumbá, Mato Grosso do Sul) vinham fazer suas compras aqui na cidade”, recorda o gerente da Casa Burgo, Andrelino José Vicente, 58 anos, mais conhecido como André, que trabalha no comércio desde os 15 anos de idade.
Atualmente, com a desativação da velha estação, o local se encontra desvalorizado. “Temos de ser versáteis e perseverantes, enquanto aguardamos que a revitalização do Centro se concretize”, pondera Luiz Henrique Moreira da Silva, 42 anos, atual proprietário da loja.
Mas estamos no final do ano e o Espírito de Natal parece ter acendido a chama do consumo no coração das pessoas - tanto que a todo instante alguém entra na loja para comprar algo. Mesmo que seja um chinelo de R$ 9,90.