Tóquio- Um brilha na Europa, o outro é sinônimo de sucesso na América. Um ganha títulos com a seleção, o outro fracassa em momentos importantes pelo seu país. Um simboliza o craque moderno, o outro lembra mais os meias clássicos da antiga. Kaká e Riquelme são hoje os maiores astros de Milan e Boca Juniors, mas, mais uma vez, suas trajetórias não se cruzarão em campo. O meia-atacante brasileiro servirá o time italiano no Mundial de Clubes, e o meia argentino não teve sua participação aprovada pela Fifa no torneio do Japão.
Em 2000, enquanto Kaká sofria incertezas nas divisões de base do São Paulo, Riquelme já ganhava a América e o mundo pelo Boca. No ano seguinte, o brasileiro ascenderia profissionalmente, mas ainda ficaria distante do argentino, de novo campeão da Libertadores e eleito o melhor do continente.
Muita coisa separou os dois até este 2007 em que Kaká, vencedor da Copa dos Campeões, ganhou a “”Bola de Ouro’’ (444 votos) e Riquelme, campeão da Libertadores e virtual melhor da América, foi só o 14º (15 votos) na tradicional premiação da “”France Football’’. No time do coração, Riquelme ganhou tudo que era possível e virou um dos maiores ídolos. Volta agora mais uma vez ao Boca Juniors.
Já Kaká não disputou torneio internacional oficial pelo São Paulo. Deixou o time de infância criticado por torcedores e não espera voltar. Na Europa, os dois viveram situações bem diferentes também. Riquelme não vingou na temporada de estréia no Barcelona e acabou no modesto Villarreal, onde se destacou, mas ficou sem títulos de expressão. Kaká, desde o início no Milan, impressionou.
Virou logo titular e faturou títulos nacionais e continentais. Despertou interesse de outros gigantes. Por pouco ambos não decidiram a Copa dos Campeões de 2006. Riquelme perdeu pênalti crucial na semifinal, e Kaká viu seu Milan ser batido pelo Barcelona de Ronaldinho na fase.
Os dois craques se aproximaram em campanhas publicitárias da Adidas, mas não travaram batalhas interclubes no novo e no velho continente. Pelas suas seleções, aconteceram dois encontros pontuais, mas suas carreiras também tomaram rumos diferentes. Na Copa-2002, ainda em “fase de crescimento’’, Kaká foi chamado para integrar o elenco penta. Riquelme, já formado, foi preterido em seleção que ruiu. Se Kaká ganhou espaço na seleção cedo, Riquelme coleciona fracassos pelo seu país desde garoto -foi assim no Pré-Olímpico-2000, no Brasil.
Na última Copa América, Kaká pediu dispensa e não teve como medir forças com Riquelme. Mas mesmo com uma equipe alternativa o Brasil parou a seleção argentina guiada em campo pelo habilidoso meia. Em 2005, um raro duelo na final da Copa das Confederações: 4 a 1 Brasil. Kaká fez gol, Riquelme sumiu. Um ano depois, em amistoso, Brasil 3 x 0 Argentina.
Kaká anotou golaço, Riquelme saiu tão chateado com críticas que abandonou por quase um ano sua seleção. Agora, no Mundial de Clubes, Riquelme só poderá torcer contra Kaká. E na volta do Japão os destinos serão de novo diferentes. O brasileiro volta à Europa, onde será melhor do mundo para a Fifa, e o argentino retorna para casa, na América.