08 de julho de 2026
RH & Tendências

Melhoria contínua: Quando parar?


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Admiro homens como o falecido Roberto Marinho, da Rede Globo, e Oscar Niemeyer, nosso arquiteto maior, por não incluírem a aposentadoria em seus projetos de vida. Roberto Marinho morreu trabalhando aos 98 anos e Oscar continua na ativa com 100 anos de idade.

A sociedade com seus paradigmas inadequados descarta o velho físico, esquecendo que ali pode residir uma alma jovem, no sentido figurado, da mesma forma que encontramos jovem com espírito de velho. Isso me faz lembrar, no início de minha adolescência, meus sentimentos de tédio por não ter o que fazer. Só estudava. Meu primeiro trabalho veio como um santo remédio, tanto é que colocava o salário em segundo plano, apesar de precisar dele.

Naquela época já começava a perceber inconscientemente a importância do movimento na vida. Tudo na vida é trabalho. Quando a cabeça se aposenta, o corpo acompanha, surgindo aí um processo de desaceleração que contribui para parar, que é se aproximar da morte.

Alguns em vias de se aposentar comentam entusiasticamente que tem vários projetos, como ficar mais com os netos, viajar mais, visitar mais os amigos,... São atividades prazerosas e necessárias, mas insuficientes, pois quem não tem uma grande causa que necessite envolver o corpo e a alma pode-se dizer que morre.

Somos dotados de muita energia enquanto vivos que não tem sentido vivenciar a inutilidade. Quando isso ocorre surge um vazio estranho dentro do aposentado assumido. Como é feio aposentado desanimado. Literalmente fim de carreira. É lógico que o descanso é necessário, mas não continuamente. É lógico também que o físico com o tempo vai apresentando seus limites e isso deve ser respeitado.

A aposentadoria era valorizadíssima quando a maior parte dos trabalhadores era braçal e não apreciava o que fazia. Eles não tinham condições de utilizar seus talentos, gerando frustrações. Com o avanço da tecnologia, nos dias atuais, já tem pessoas trabalhando próximo do máximo da motivação, fazendo o que gostam, quando gostam, com que gostam, onde gostam e como gostam de fazer. É o caso de indivíduos trabalhando em casa. Gosto de definir estar feliz como estar empolgado com algo. Quem não tem nenhuma empolgação com certeza está infeliz.

Acredito também que a empolgação em uma mente sã e positiva é o principal antídoto contra o envelhecimento. A vida é sagrada e não tem sentido vivê-la sem sentido. Cada minuto deve ser vivido para algo útil. O inútil é da negatividade. Infelizmente, a verdade é que condenamos os velhos à monotonia, denominando-os de desatualizados e obsoletos. Relegamo-los ao esquecimento e ao desprezo. A segunda verdade é que, apesar de todos os progressos que fizemos em todas as ciências, ainda não sabemos lidar com a questão do homem idoso.

A terceira verdade é que não só na terceira idade, mas em qualquer fase da vida, devemos evitar os hábitos e idéias conservadoras, considerando que estamos evoluindo e nada existe em caráter definitivo. Nesse caso vale também a premissa que diz “o mais eficaz dos hábitos é o habito de perceber quando se deve mudar de hábito”. Quero acordar todos os dias e poder dizer “agora é que vou começar”.

Davison de Lucas é diretor da M.Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.