São Paulo - A bola vai parar para todos por um período recorde entre duas temporadas no Brasil na era dos pontos corridos. Mas os 45 dias que os clubes terão para se planejar para o próximo ano começaram de forma conturbada. Dos 16 times que disputaram a Série A neste ano e também o farão em 2008, sete já trocaram de treinador (Atlético-MG, Cruzeiro, Goiás, Grêmio, Palmeiras, Sport e Vasco).
Outros dois também correm o risco de perderem seus comandantes (Botafogo e Náutico). O Santos ainda precisa renovar o contrato de Vanderlei Luxemburgo. Tudo bem diferente do ano passado, quando no mesmo número de clubes apenas quatro optaram por trocar de técnico.
Até equipes que tiveram relativo sucesso preferiram tomar novos rumos na prancheta agora, caso do Cruzeiro, que dispensou Dorival Júnior mesmo com o time classificado para a Libertadores da América. Abrir o cofre para dar seqüência ao trabalho foi outro fator para o aumento na troca dos técnicos. É o caso, principalmente, do Atlético-MG, que não acertou a renovação de contrato com Emerson Leão.
E também de Valdyr Espinosa, no Vasco, que colocou Romário no seu lugar -e o também atacante já tem data para sair, durante o Estadual. O Palmeiras ainda nem encontrou um substituto para Caio Júnior, que agora vai comandar o Goiás. E não é só o fator técnico que é um obstáculo para os clubes no “longo” planejamento para 2008. Eleições acirradas, como no Coritiba, com acusações envolvendo a “moral” dos candidatos, e no Santos, com acusações pesadas da oposição, tomam conta dos bastidores.
A montagem do elenco é um desafio. Primeiro, os clubes terão que enfrentar a reabertura das transferências para a Europa. Jogadores importantes, como o zagueiro são-paulino Breno, estão na mira de gigantes desse continente. Depois, é necessário rapidez para que os novos contratados estejam à disposição já nos primeiros dias de janeiro, quando os treinos recomeçam. A preparação das equipes, aliás, deve ser bem variada. Fugindo das pré-temporadas pelo interior do país, alguns times vão para o exterior, como Vasco e Internacional, que irão disputar uma competição nos Emirados Árabes Unidos.
Férias de 30 dias e pré-temporada de duas semanas para todos os clubes é algo inédito no Brasil com o atual formato. Nos últimos dois anos, os clubes envolvidos no Mundial (São Paulo e Inter) fizeram com que a intertemporada não fosse igual para todos.