Belo Horizonte - A distância, o acesso e a comunicação precários dificultaram os trabalhos da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec) de Minas Gerais, embora, segundo o governo mineiro, o atendimento às vítimas tenha sido feito pela equipe da Defesa Civil de Miraí. O local do terremoto fica na comunidade de Caraíbas, a cerca de 35 quilômetros do centro de Itacarambi, no extremo norte de Minas, uma das regiões mais pobres do Estado, sempre castigada por longas estiagens.
Neste ano, Itacarambi compõe a lista dos municípios em estado de emergência reconhecidos pelo governo do Estado por causa da seca. A cúpula da Defesa Civil do Estado foi para o local na tarde de ontem com a tarefa de instalar em Itacarambi o chamado Sistema de Comando em Operações - que reunirá diferentes órgãos ligados ao Executivo para atuar em conjunto.
Às 18h, a informação era que os comandos da Defesa Civil e dos bombeiros já estavam na cidade, mas havia dificuldade de contato com os oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros, responsáveis pelo gerenciamento do desastre. A chefe de gabinete da prefeitura, Maria da Cruz, disse no início da noite que o prefeito José Ferreira de Paula (DEM) estava reunido com as equipes do governo de Minas para definir tarefas e socorro às vítimas, mas que a situação estava sob controle.
A Secretaria de Comunicação do governo de Minas Gerais informou que uma equipe da UnB (Universidade de Brasília), que vai realizar estudos no município, seguirá às 6h de hoje para a cidade. Um avião do governo estadual vai buscar os pesquisadores. Itacarambi tem, segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ), 17.626 habitantes. Cerca de 23% da população vive na zona rural. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do local é 0,622, considerado médio.
Paulo Afonso de Melo, 46 anos, dono da Pousada Camaleão, tomou um susto com o terremoto. “Até algumas camas que são de alvenaria se mexerem. Um dos meus hóspedes chegou a brincar que era o exorcista.” Alguns moradores da cidade, entretanto, nem notaram que se tratava de um terremoto. “Só descobri hoje o que tinha acontecido. Achei que fosse um caminhão passando na rua. Estava deitada e não levantei para conferir, apesar de ter visto as janelas balançarem”, disse a recepcionista Conceição Macedo.