10 de julho de 2026
Articulistas

Quem tem medo de... Renan Calheiros?


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O Senado teve um dia de “função” - pois ganhou contornos circenses - ao julgar mais uma vez o senador Renan Calheiros que, durante o vergonhoso espetáculo, renunciou à presidência, donde estava licenciado. Sabia-se previamente da sua absolvição, mesmo diante da existência de um relatório veemente, que pedia a cassação. E desta vez a margem de votos foi ainda maior que no “julgamento” anterior.

Algumas falas foram significativas, como a do respeitado senador Pedro Simon (PMDB-RS), que reclamou do Senado transformado em balcão de barganha (o caso de Renan em troca da CPMF), e a do senador Paulo Duque (PMDB-RJ) que, ao defender o acusado, lançou publicamente a dúvida sobre a cumplicidade de seus pares, afirmando não serem “anjos”. A sessão terminou como começou, numa verdadeira encenação. A agonia política do senador seguirá no Judiciário e continuará contaminando o processo parlamentar, mesmo com ele fora da presidência.

O encaminhamento da crise Renan Calheiros chega a ser impatriótico na medida em que leva problemas pessoais de um político a travar o funcionamento da mais alta casa legislativa do país e à própria administração pública. Para evitar novos episódios dessa natureza, o ideal seria afastar sumariamente todos os envolvidos em escândalos, com a alternativa de poderem voltar e cobrar reparação de quem de direito, se comprovada a sua inocência. A crise ficaria restrita a um indivíduo e a instituição se manteria a salvo, cumprindo suas finalidades.

Também tem de acabar o voto secreto, que pode esconder o tráfico de influência, a impunidade e até as possíveis negociatas. O voto de todo parlamentar, de senador a vereador, deveria ser aberto e justificado. Assim, cada um responderia pela sua posição, sem poder enganar o eleitor, dizendo que votou de um jeito sendo que fez de outro!

Pelo as ameaças lançadas ao ar – inclusive do próprio Renan Calheiros - nas proximidades das votações, resta ao povo a sensação de que senador alagoano se mantém porque deve conhecer o rabo-de-palha de muitos de seus pares e de outras figuras de alta relevância na República. Se real, isso é um grande mal para o país, colocado à mercê das raposas que, indevidamente, tomam conta do galinheiro político.

Independente de cassar ou não o mandato de Renan, urge ao Senado tomar todas as providências para a conclusão dos questionamentos. O monturo político não pode continuar, por mais tempo, prejudicando a vida nacional...

O autor, Dirceu Cardoso Gonçalves, é tenente e dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo