09 de julho de 2026
Política

Terceirização de funerária é rejeitada

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Mais uma derrota do governo Tuga Angerami no Legislativo. Dessa vez, os vereadores rejeitaram a proposta de terceirização da funerária municipal, serviço atualmente prestado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) que a prefeitura pretendia transferir para ser explorado pela iniciativa privada por meio de concessão onerosa.

O prefeito Tuga Angerami e a direção da Emdurb decidiram, há alguns meses, reestruturar o serviço funerário municipal alegando déficit acumulado no setor provocado, principalmente pelo baixo número de sepultamentos particulares realizados.

Paralelamente, a prefeitura já preparava a abertura de processo licitatório destinado à contratação de uma empresa privada que ficaria responsável pelos chamados enterros assistenciais para garantir o sepultamento gratuito das pessoas cujas famílias não têm condições financeiras para custear o serviço.

Dentro desse processo de reestruturação, uma das medidas definidas por Angerami e a direção da Emdurb foi a realização de uma auditoria no serviço funerário municipal, que apura até mesmo a eventual participação de vereadores sobre o setor. Uma comissão foi nomeada para executar essa tarefa e vem trabalhando de forma sigilosa para que as apurações não sejam prejudicadas antes da sua conclusão.

A proposta precisava da apreciação favorável de 2/3 - dez votos - dos parlamentares para ser aprovada, mas acabou rejeitada por nove votos a favor - Arildo Lima Júnior (PP), Benedito da Silva (PSDB), Alex Gasparini (PMDB), Paulo Eduardo Martins Neto (DEM), Futaro Sato (PMDB), Salvador Afonso (PDT), Marcelo Borges (PSDB), João Parreira (PSDB) e Majô Jandreice (PC do B) - e cinco contrários - Luiz Carlos Rodrigues Barbosa (PTB), Antonio Carlos Garmes (PTB), José Carlos de Souza Pereira (PT), o Batata, Paulo Madureira (PP) e Primo Mangialardo (PV). O único a não votar foi Antonio Faria Neto (PDT), que ontem não compareceu à sessão.

A rejeição da proposta revoltou a bancada aliada de Angerami, que não perdeu a chance de disparar contra os que não apoiaram o projeto. “Se a Emdurb fechar, já sabemos quem serão os responsáveis. O que se instalou lá naquele setor foi uma verdadeira máfia, pois o que chegou a nossos ouvidos foram coisas muito ruins que a empresa já está apurando”, criticou Alex Gasparini (PMDB), em clara menção à auditoria realizada na área.

“Perdemos a oportunidade de fechar uma torneira que está jogando dinheiro fora”, opinou o tucano João Parreira (PSDB). Já as justificativas dos parlamentares contrários à proposta também basearam-se no processo de investigação por que passa o setor. “O serviço pode ser particular, mas em outras circunstâncias. E o setor tem de ser fiscalizado, pois enfrenta atualmente denúncias de corrupção”, salientou Garmes. Já o verde Primo Mangialardo (PV) seguiu igual raciocínio e alegou que não foi convencido da necessidade de terceirização. E sustentou, discutindo com os situacionistas Alex Gasparini (PMDB) e Paulo Eduardo Martins Neto (DEM), que ninguém o procurou para discutir o voto. “Ninguém falou comigo e, se quiser meu voto, liga para mim”, ressaltou.