08 de julho de 2026
Regional

Usina nuclear interessa a Itapuí

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Itapuí - Vereadores e organizações civis de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) estão interessados na usina nuclear que a Eletronuclear pretende construir nas margens do rio Tietê. O Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Município de Itapuí (Prodesi), entidade criada há seis meses por empresários e políticos do município, convidou um representante da estatal para realizar uma palestra na Câmara Municipal e explicar os benefícios que a cidade poderia obter caso se candidatasse para abrigar a usina.

Integrante do Prodesi, a vereadora Rita de Cássia Souto Xavier (PSDB) acredita que o município poderá se beneficiar com o recolhimento do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS).

“Eles estão querendo instalar uma usina nuclear em cidade localizada na beira do rio Tietê. Parece que Barra Bonita não teve interesse. Então, nós vamos aproveitar que eles (da Eletronuclear) estão aqui para explorar mais sobre isso para ver se Itapuí comporta (a usina). Porque, como todos sabem, isso vai ser instalado, e aqui na região. Vamos pleitear e ter a chance de talvez colocar aqui porque para nós vai ser importante o ICMS”, argumenta.

Quanto aos possíveis riscos inerentes a uma usina nuclear, a vereadora lembra que Itapuí não estaria fora de perigo mesmo que a usina fosse instalada em outra localidade da região. “Nós sabemos do perigo, mas, se colocar em qualquer lugar da região, nós estaremos correndo o mesmo risco”, confirma.

De qualquer forma, Xavier lembra que, por enquanto, o município quer apenas conhecer detalhes do projeto, daí o convite do Prodesi para que Ronaldo Barata de Andrade, engenheiro da Gerência de Planejamento da Termonuclear fosse à cidade realizar uma palestra.

“Nós encaminhamos o convite aos empresários, ONGs, sociedade civil, para poder tirar todas as dúvidas possíveis. Não que isso (a usina) vai se direcionar para a gente. Mas se houver interesse, nós já estaremos sabendo e podemos passar para as pessoas. A usina nuclear de momento assusta, mas vamos conhecer bem o projeto e tirar as dúvidas”, justifica.

Prudente

O coordenador da ONG Bica de Pedra, José Vitor Ficcio também não descarta a possibilidade do empreendimento trazer benefícios ao município, mas é prudente em sua opinião. “Itapuí está se candidatando para poder ver se consegue esta construção, que pode reverter em benefícios para nós”, diz. “Vamos nos informar através desta palestra sobre os riscos e os benefícios. Por enquanto, estamos em cima do muro”, completa o ambientalista.

Conforme o JC divulgou na edição do dia 28 de outubro, a Eletronuclear comunicou que, por enquanto, não há nenhum local definido para a construção das usinas que, eventualmente, poderão ser levantadas no Interior paulista e o prazo para que isso venha a acontecer é de, no mínimo, dez anos.

Na ocasião, Leonam dos Santos Guimarães, chefe de Gabinete da presidência da empresa estatal, explicou que existe a previsão de geração de 4 mil megawatts (MW) por intermédio de quatro novas usinas nucleares instaladas, duas na região Nordeste e duas na região Sudeste. Segundo ele, as primeiras a serem construídas seriam as nordestinas, enquanto as sulinas ficariam para depois.

A palestra do representante da Eletronuclear estava prevista para as 19h de ontem na Câmara com sessão aberta ao público.