“É preciso valorizar o tempo de posse de bola”, dizem os comentaristas esportivos. E é verdade. Fora das quatro linhas, no cotidiano das pessoas, existe algo parecido. Quem se aplica em agregar qualidade à quantidade do tempo que possui, está valorizando sua estada neste mundo.
Infelizmente muitos gastam grande parte do seu tempo em longas vigílias, na prática de um passatempo insalubre e masoquista, que consiste em remoer ódios, culpas, fracassos, ou, pior ainda, “pré-ocupando-se” com eventos que muitas vezes nem se realizam.
Seria mais objetivo usar as experiências vividas, fossem elas boas ou más, para suavizar o caminho da jornada a seguir.
Quase sempre será possível reaver o dinheiro perdido, voltar a estudar, compensar um “handcap” físico, arranjar outro relacionamento etc. Só uma coisa não vai ser possível recuperar: aquela porção de tempo de vida que foi desperdiçada.
Essa é uma realidade que dói tanto quanto um soco no estômago, mas erros e acertos fazem parte da condição humana. O que varia é a reação de cada pessoa, ao fato e ao soco.
A cada momento nos confrontamos com situações que demandam uma tomada de decisão. Algumas são importantes, outras compõem o trivial do nosso dia-a-dia. E ainda somos abordados por fatores externos sobre os quais nem sempre podemos exercer algum controle.
Em geral, só podemos nos valer, como fonte de recursos para as nossas decisões, de informações que temos armazenadas numa espécie de arquivo mental.
É o que podemos chamar de cultura de vida, se definirmos cultura como sendo o que ficou registrado em nosso intelecto, de tudo o que vivenciamos, observamos e estudamos. Assim, a nossa capacidade de decisão irá variar de acordo com o nosso nível de informação num determinado momento da vida.
Afinal, nosso viver acaba sendo um tecido de acontecimentos de variado matiz, uma tela onde se entrelaçam a dor e o prazer, o riso e o pranto, a alegria e a tristeza, numa estranha mescla de sentimentos. E nós somos os vacilantes tecelões dessa intrigante trama que chamamos Vida. Para que ao fim se vislumbre um padrão que revele o mistério e dê sentido à tela trançada, mister se faz que o tecelão seja ajudado em sua faina pelo Grande Fiandeiro, Aquele que confeccionou o fio original de nossa existência.
Com certeza a matéria-prima utilizada terá sido a mesma que substancia o próprio Senhor da Vida: o Amor. O único sentimento que pode realizar o especial milagre de dar sentido a nossa história, a despeito de nossas humanas limitações. Feliz Natal! Feliz Ano Novo!
Oscar Camaforte