10 de julho de 2026
Articulistas

‘Podia ser o seu filho’


| Tempo de leitura: 3 min

Ao lermos emocionados, na Tribuna do leitor, do dia 9/11, domingo, o artigo “Podia ser o seu filho”, escrito por Levanir Antônio Brizoti, vários sentimentos se apoderaram do nosso coração, obrigando-nos a fazer algumas reflexões. Pudemos pelo exposto perceber, no dia-a-dia, a mescla de alegrias e sofrimentos, de esperança e decepções. Quando tudo parecia caminhar para um final feliz, éramos surpreendidos por fatos que nos entristeciam com a notícia de um calvário mais longo e sofrido por vocês, Levanir, e esposa e por seu querido bebê. Neste momento, o amor falava mais alto. A vida precisava ser respeitada, não importando o estágio ou a condição em que se encontrava a vida do querido bebê. O direito à vida é inerente à própria vida, possuindo um valor intocável, o qual se faz necessário defender até as últimas conseqüências.

Temos certeza de que os amigos, neste momento, não se ausentaram, mas solidários ao casal amigo, nestas horas difíceis e de sofrimento, deram um testemunho de uma amizade sincera e eterna. Toda amizade verdadeira leva ao encontro de Deus. Nenhuma amizade humana dura, se Deus não estiver presente. Levanir, no seu artigo, num desabafo angustiante e sincero ao qual apoiamos e endossamos, você fala da existência de pelo menos três diferentes variedades do teste do pezinho e que o convencional, feito pelo SUS, avalia quatro doenças, enquanto o máster avalia quarenta. Isto mesmo, quarenta doenças!!! A Fibrose Cística é triada no teste do pezinho máster. Ele não está disponível na rede pública, infelizmente.

Se nosso bebê tivesse feito este teste, ele não teria passado por tudo o que passou. É um absurdo! Mas tivemos a informação de que não orientam as pessoas sobre este teste, por ser antiético a quem não tem como pagar. Para que servem os órgãos públicos dos direitos da criança e adolescente? Como o teste não foi expandido para toda a população?

Senhores Magistrados e Legisladores, leiam, por favor, com muita atenção, essa terrível denúncia. Os senhores têm o dever de salvaguardar o pleno direito à vida que cabe a todo cidadão. Buscamos um mundo possível e melhor, mas que só acontecerá com a afirmação clara e convicta da dignidade da vida humana.

Tal fato podia não ter acontecido com o querido bebê do Levanir e esposa, se nossa sociedade não viesse caminhando nos últimos anos, numa escala de perda e esquecimento dos valores morais. Nossa sociedade, no seu meio político, perdeu a noção exata do certo e do errado.

Levanir, ao fazer a denúncia do calvário pelo qual vocês passaram, pela indiferença e insensibilidade dos nossos homens públicos, você não foi omisso, como não deve ser nenhum leitor deste artigo. Não pequemos pela omissão. Escrevamos para Senadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores. Não façamos parte da maioria boa, mas silenciosa, que permite que uma minoria de maus que se esquecem de aprovar a lei sagrada de Deus que é o direito à vida.

Nenhum cristão e homem e mulher de boa vontade pode deixar de entrar nesta luta pelo direito de nossas crianças terem direito ao teste do pezinho máster. Quanto desprendimento, quanta ausência de egoísmo, quanto amor ao próximo! No seu querido bebê, espelhou-se a preocupação com as crianças, muitas, talvez, menos favorecidas.

Ao finalizar o seu artigo escrito com muita dignidade e propósito cristão, você diz: “Graças a Deus e a médicos responsáveis, comprometidos com a vida e não com o dinheiro, nosso filho, o querido bebê, se salvou. Hoje ele está cada vez melhor, segue uma rotina rígida, mas está quase recuperado de tudo que passou”.

Levanir, você, em seu artigo, deu-nos uma demonstração edificante de amor ao próximo, quando escreve: “Gostaríamos de compartilhar o que aconteceu conosco para que outras pessoas não tenham a mesma sorte que tivermos!”

O autor, Gino Crês, é professor