Porto Alegre - Em férias no Brasil, o estudante Cristiano Fedrigo, 20 anos, que se diz afilhado de Frederic Lourderback e Barbara Anner, negou ontem que o casal norte-americano seja pedófilo. Ele conheceu o casal há sete anos, na colônia naturista Colina do Sol, onde sua mãe trabalhava como doméstica do casal. “Eles sempre me trataram como um filho. Frederic jamais me passou a mão ou fez qualquer coisa do tipo. Isso tudo o que está acontecendo é uma grande injustiça”, disse.
Fedrigo disse que, quando o casal veio para o Brasil, convidou-o para ajudar na ONG New Face. “Eu tinha um trabalho social com as crianças pobres da comunidade. Eles ficaram sabendo por minha mãe e me pediram para auxiliar na ONG.”
Ele ganhou uma bolsa de estudos de uma entidade americana e mora em Nova York há um ano e meio. Fedrigo disse que, ao saber da prisão do casal, viajou a Porto Alegre para acompanhá-los. “Não tenho idéia de quem fez essas denúncias absurdas contra eles, mas justiça vai ser feita”, disse.
A reportagem não conseguiu falar com o advogado de Lourderback e Anner. O advogado Paulo André Alves, que defende André Herdy e Cleci Machado Jaeger, disse que a prisão de seus clientes “foi um grande mal-entendido”.
Comunidade abriga 50 famílias
Na comunidade Colina do Sol, em Taquara, moram 50 famílias brasileiras, americanas, argentinas e alemãs. Pela filosofia de vida dos naturistas, todos os que moram ou visitam o lugar devem andar nus. O clube, fundado em 1995, tem cem cabanas - algumas construídas pelos moradores e outras que podem ser alugadas por temporada -, um albergue e um camping.
Há dez dias, o americano Dana Wayne Harbour, 73 anos, foi encontrado morto em sua casa. Ele teria sofrido infarto durante um assalto. A polícia não descarta que haja relação entre a morte e os casos de pedofilia. Testemunhas disseram ao delegado que ele sabia do esquema e queria denunciá-lo.
O site da comunidade a descreve como um lugar onde se exerce a simplicidade e a natural aceitação das diferenças.