08 de julho de 2026
Regional

Usina nuclear gera dúvidas em Itapuí

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Itapuí - A vereadora Rita de Cássia Souto Xavier (PSDB), integrante do Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Município de Itapuí (Prodesi), em princípio, não ficou muito entusiasmada com o resultado da palestra realizada na última segunda-feira na Câmara Municipal, onde um representante da Eletronuclear foi explicar os benefícios que a cidade poderia obter caso se candidatasse para abrigar a usina.

Segundo a vereadora, as explicações de Ronaldo Barata de Andrade, engenheiro da Gerência de Planejamento da Termonuclear, foram muito técnicas e várias dúvidas não foram respondidas. “Sinceramente, eu não achei positivo. Muitas perguntas ele não soube responder porque ele é engenheiro e só fala sobre as partes técnicas. O que eles querem é quebrar esta barreira que existe com relação à usina nuclear, que será a energia do futuro”, avalia.

Conforme o JC divulgou na edição da última terça, o engenheiro veio à cidade a convite do Prodesi, entidade criada há seis meses por empresários e políticos do município. “Ele (engenheiro) comentou que os serviços são muito bem guardados e que não tem perigo de contaminação”, ressalta Xavier.

Segundo as explanações do engenheiro, relatadas pela vereadora, a mão-de-obra para construção da usina - que levaria cinco anos e meio para ficar pronta - exigiria cerca de cinco mil trabalhadores. Isso significa que a cidade escolhida precisa ter infra-estrutura suficiente para comportar o aumento populacional. No caso de Itapuí, por exemplo, o número de moradores passaria dos atuais 11 mil para 16 mil de uma hora para outra se imaginarmos que a maior parte da mão-de-obra viria de fora.

O município que vier abrigar a usina receberá em troca vantagens econômicas. “Eles falam que a cidade onde colocarem a usina, eles acabam mantendo escolas, estradas e a população acaba sendo beneficiadas por benfeitorias”, lembra Xavier.

Prematuro

Através da assessoria de imprensa, o prefeito de Itapuí, José Gilberto Saggioro (PPS), disse não estar preocupado com o assunto, por enquanto, por tratar-se de um projeto em estudo (pela Eletronuclear) e que não será implantado agora. De qualquer forma, segundo a assessoria, caso houvesse realmente o interesse de ambas as partes em instalar a usina na cidade seria necessário realizar uma consulta popular.

“Se houver uma possibilidade concreta, de interesse, Saggioro acha que em primeiro lugar toda a sociedade do município tem que ser consultada”, informa a assessoria. O prefeito foi contatado por representantes da estatal e convidado a participar da reunião ocorrida na última segunda-feira no Legislativo. De acordo com a assessoria do prefeito, Saggioro participou apenas da abertura da palestra porque tinhas outros compromissos agendados.

O caso agora fica no âmbito político e o município teria que se posicionar oficialmente caso tenha interesse em se candidatar para abrigar a usina nuclear que deve ser construída daqui a 10 anos. A Eletronuclear ainda estuda possíveis locais para abrigar o empreendimento em cidades às margens do rio Tietê.