Brasília - O governo federal dará uma bolsa de R$ 3.300,00 para recém-doutores que forem trabalhar em projetos de pesquisa em empresas privadas aprovados pelo Ministério da Educação. A medida faz parte de um pacote de R$ 1,6 bilhão de ações complementares ao Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em abril. A maioria delas já haviam sido anunciadas, e o dinheiro já estava previsto no PPA (Plano Plurianual), enviado ao Congresso em agosto.
A bolsa também vale para o desenvolvimento de pesquisas em universidades. Recém-doutores receberão ainda R$ 12 mil mensais para a compra de insumos para pesquisa, como livros e material de laboratório. Serão 1.500 bolsas com validade de cinco anos, renováveis por mais dois. O edital do programa foi lançado ontem e está disponível no site da Capes (www.capes.gov.br). A inscrição poderá ser feita por universidades, empresas ou pelo próprio recém-doutor até o dia 28 de fevereiro de 2008.
O dinheiro virá dos ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia - a última pasta já havia anunciado a ação, sem o valor da bolsa, no lançamento do “PAC da Ciência”. As empresas poderão complementar o salário do pesquisador. “O programa serve para que esses jovens doutores encontrem uma situação estável e possam permanecer no Brasil”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Para Marco Antonio Raupp, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), o projeto tem o mérito de colocar os pesquisadores dentro das empresas. Ele não vê inconveniente no fato de o governo pagar um pesquisador por até sete anos para que ele trabalhe na iniciativa privada.
A Capes já tem um programa de pós-doutorado -o Prodoc- com os mesmos valores de bolsa, mas, segundo a instituição, empresas não podiam participar. Haddad também anunciou, novamente, um “programa de iniciação à docência”, com funcionamento similar aos programas de iniciação científica, mas voltado à formação de professores.
Estudantes de graduação receberão R$ 350,00 mensais para desenvolver projetos de didática em escolas públicas com Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) menor do que a média nacional (3,8 em uma escala de zero a dez). O foco serão as áreas de ciências e matemática de quinta a oitava série e física, química e biologia para o ensino médio, onde há deficiência de docentes com formação específica. Foram anunciados também R$ 440 milhões para transporte e merenda escolar no ensino médio no ano que vem e a ampliação do e-Tec, sistema de ensino médio profissionalizante à distância.