O sr. Wilson Carlos de Oliveira, na edição do Jornal da Cidade de 8/12/07, em artigo inserido na Tribuna do Leitor, manifestou-se contrário aos termos do artigo de minha responsabilidade, publicado na mesma Tribuna, na edição de 7/12/07, no qual declaro que sou contra a emissão de atestados de antecedentes criminais e sugiro que ao invés dos referidos atestados sejam expedidas certidões pelos respectivos cartórios distribuidores da Justiça, com a simples informação de que o interessado “nada deve à justiça”, desde que se encontre em liberdade e que não exista “mandado de prisão” contra o mesmo.
Infelizmente, o sr. Wilson insinuou que o meu interesse para que seja alterada a norma até agora vigente tem algo a ver com o meu próprio passado. Enganou-se completamente sr. Wilson, pois a família Trindade, à qual pertenço, tem uma tradição de mais de 100 anos em Bauru, e pelo que me consta nunca houve qualquer ato ilícito praticado por qualquer um de seus membros e, mais, se eu tivesse tido em qualquer época algum problema com a lei, não seria advogado militante há mais de 20 anos, pois a Ordem dos Advogados do Brasil não tolera qualquer deslize praticado por advogados.
O sr. Wilson informa que é agente de turismo e estudante e que não é conhecedor de leis penais. Caríssimo Wilson, saibas que o legislador ao formular e apresentar um projeto de lei não nos consulta se o projeto deve ou não ser apresentado, e se aprovado a nova lei poderá ser benéfica para alguns, mas impossivelmente benéfica para todos.
Agradeço-lhe sinceramente por discordar do meu ponto de vista, mas quiçá se tal sugestão for transformada em lei poderá beneficiar alguma pessoa de sua amizade ou talvez algum membro de sua família, se porventura algum dia teve a infelicidade de se envolver numa simples contravenção penal.
Prezado Wilson, sinceramente adorei a sua manifestação contrária ao meu ponto de vista, pois “toda unanimidade é burra”, conforme muito bem acentuou o famoso teatrólogo Nelson Rodrigues. De minha parte dou o assunto por encerrado, pois o meu tempo é muito valioso e não posso perdê-lo discutindo um assunto através da imprensa, pois vamos respeitar a vontade de outros leitores que também desejam ver suas cartas publicadas na prestigiosa Tribuna do Leitor.
Argemiro Trindade - advogado - OAB/SP 83.059