09 de julho de 2026
Nacional

Com 68 votos, Garibaldi é eleito presidente do Senado e encerra crise

Por Andreza Matais | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Numa eleição com resultado previsível e sem adversários, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) foi escolhido ontem presidente do Senado, em substituição ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para um mandato tampão de um ano. Foram 68 votos a favor da sua indicação, oito contra e dois abstenções. A eleição foi o último capítulo da crise envolvendo o Senado, que culminou na renúncia de Renan para escapar de processo de cassação.

Em discurso, Garibaldi atribuiu sua vitória às “articulações” de José Sarney (PMDB-AP), um dos principais aliados do governo no Congresso, a quem disse ter se tornado “credor”. Mas ponderou que vai atuar com independência em relação ao Palácio do Planalto. “A presidência não será partícipe do entrechoque partidário, mas será atuante no debate político, pretendendo ser o fermento para que das discussões surjam idéias”, afirmou.

Em outro aceno à oposição, Garibaldi se comprometeu com propostas colocadas no papel pelo PSDB e DEM, entre elas “exigir igualdade para todos na execução orçamentária” e dar mais transparência à Casa. Disse que colocará em votação os vetos do governo a projetos aprovados pelo Congresso, o que não agrada ao Planalto. Ao analisar a crise recente do Senado, o novo presidente disse que a Casa “se aproximou de limites que jamais poderiam ser ultrapassados”. Pediu aos senadores que o apoiaram que “estejam vigilantes” e que o advirtam “se fraquezas humanas ou políticas” o tentarem a se desviar “da legitimidade nascida” na eleição.

O eleito revelou, ao discursar, que Sarney “comandou todo o processo” sucessório, “articulou” e esteve ao lado “de todos os que postulavam” a cadeira de presidente, inclusive dele.

Garibaldi disse que, por isso, Sarney era “credor de sua confiança”. Em entrevista após a posse, explicou que não se sentia devedor de Sarney. “Eu já não o agradeci? Não vejo que ele vá me cobrar nada.” A reportagem apurou, no entanto, que Garibaldi irá manter postos chaves na administração do Senado a pedido de Sarney e Renan. “Não posso passar por cima de uma estrutura que já existe e comprometer o funcionamento da Casa”, justificou.

O agradecimento a Sarney decepcionou parte dos senadores, que consideraram um indicativo de continuísmo. “Acho ele um pacificador, mas o discurso não ajudou a engrandecer o Senado nesse momento de crise. Deveria ter tido uma dimensão maior”, disse Jefferson Péres (PDT-AM).

Garibaldi contou ainda que contrariou a determinação do líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), de não se lançar candidato antes de Renan renunciar ao cargo. “Se eu fosse atender ao seu conselho, eu não teria desfrutado da situação eleitoral a que desfrutei”, disse a Raupp.

A eleição, secreta, durou apenas 16 minutos. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e os senadores Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e João Vicente Claudino (PTB-PI) não compareceram. A líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), compareceu à sessão numa cadeira de rodas. Ela recupera-se de uma cirurgia no pulso e não pode se locomover. As apostas eram que os votos contrários partiram de peemedebistas alijados da disputa, de petistas e até da oposição.