No Centro do Rio, bem perto da Praça XV e da Ilha Fiscal, funciona o Espaço Cultural da Marinha, que resguarda a história naval brasileira e reserva aos turistas, entre outras atrações, visita ao Navio-Museu Bauru e ao Submarino-Museu Riachuelo.
Construído em 1973, na Inglaterra, o Submarino Riachuelo foi lançado ao ar em 6 de setembro de 1975, e incorporado à Armada brasileira em 27 de janeiro de 1977. Após 20 anos foi desincorporado, desarmado e reclassificado como Submarino-Museu.
O Espaço Cultural oferece aos visitantes a chance de conhecer nosso passado histórico, vendo de perto peças e artefatos recuperados de embarcações naufragadas em nossa costa no passado. Lá, estão expostas, entre outras, peças dos naufrágios Aquidabã e Utrech, além de canhões, sinos, escotilhas, porcelanas e objetos que passaram por um grande trabalho de restauração, sob os cuidados de especialistas da área de arqueologia subaquática. Elementos catalogados e datados entre os anos de 1648 a 1916.
Na área externa está atracado o Navio-Museu Bauru, construído em Nova Jersey (EUA) em 1943 e incorporado à Marinha brasileira em 1944, que recebeu esse nome em homenagem à cidade de Bauru.
Segundo a Marinha do Brasil, “os contratorpedeiros-de-escolta (CTE) eram navios de pequeno porte, deslocavam no máximo 1.600 toneladas e foram planejados especialmente para a guerra anti-submarino, embora dispusessem de suficiente poder de fogo para reagir a ataques aéreos e de superfície.
Embora os CTE carecessem de velocidade e poder de fogo dos contratorpedeiros (CT) de linha (destróieres na denominação estadunidense), suas cargas de profundidade eram as mesmas daqueles que estavam providos com os mais modernos equipamentos de detecção”.
Eram navios mais rústicos, baratos, com maior manobrabilidade e tão eficazes quanto os destróieres de linha. Como “caçadores” de submarinos, os CTE desfrutavam de considerável vantagem sobre os CT de linha, porque tinham a capacidade de girar em círculos fechados, o que lhes dava agilidade, invejada pelas tripulações dos outros tipos de CT, e os faziam temidos pelos submarinistas inimigos.
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Origem do nome
Etimologicamente, Bauru é vocábulo de origem tupi que, segundo Teodoro Sampaio, significa “Cesto de frutas” (Ybá-urú) ou, de acordo com outros pesquisadores, águas precipitadas das alturas (Mbai-yú-rú).
Até 1944, a Marinha do Brasil não tinha nenhum navio com esse nome. O nome “Bauru” foi uma homenagem à nossa cidade. Por isso, encontra-se no distintivo do navio a mesma onça agressiva do escudo de armas do município.
O navio Bauru foi construído pela Federal Shipbuilding & Drydock Company nos estaleiros de Port Wewark, Nova Jersey, EUA, sendo sua construção custeada pela população da cidade de Rochester (Nova York), por meio da aquisição de bônus de guerra.
Na Marinha norte-americana, o navio prestou diversos serviços até 15 de agosto de 1944, quando foi transferido para a Marinha do Brasil.
O “Bauru”, assim como outros CTE da mesma classe: “Bertioga”, “Bocaina”, “Beberibe”, participou de diversos comboios, efetuou missões de apoio no transporte de tropas e patrulhamento em zonas de guerra.
Terminado o conflito, foi incorporado à Flotilha de Contratorpedeiros na qual, além das comissões destinadas ao adestramento para a guerra anti-submarino, participou do socorro ao Navio-Auxiliar Duque de Caxias e ao Navio Mercante Madalena.
No quinto dia de junho de 1964, o CTE “Bauru” foi transferido para o Esquadrão de Avisos Oceânicos. Para adequar-se ao novo emprego foram modificados, especialmente, o armamento e os sensores anti-submarino.
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Repressão ao contrabando
A partir da década de 60, o Bauru cumpriu importantes missões, dentre elas: repressão ao contrabando, abastecimento ao Posto Oceanográfico da Ilha de Trindade, apoio a regatas oceânicas e viagens de instrução para alunos do Colégio Naval e Escolas de Aprendizes Marinheiros.
Nos quase 40 anos de atividade, o “Bauru” navegou 295.405 milhas (cerca de 547 mil quilômetros) e atingiu 1.423 dias de mar.
O navio se transformou em Museu-Navio em 21 de julho de 1982 e foi atracado junto à Marina da Glória, no Rio de Janeiro. As despesas para restaurar suas características originais foram cobertas por doações voluntárias, oriundas de entidades privadas, contribuições particulares do Estado de São Paulo e da Prefeitura de Bauru.
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Visitantes
O Bauru já recebeu muitos visitantes, sendo 481.292 no período de 2001 a 2006, evidenciando seu valor como acervo histórico-cultural. Atualmente o Bauru está docado (dique) no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro para revitalização do circuito expositivo. Após o término das obras, o Navio-Museu voltará para o Espaço Cultural da Marinha, situado na avenida Alfred Agache, s/n, Centro do Rio de Janeiro, permanecendo atracado para visitação pública gratuita.