09 de julho de 2026
Articulistas

Viver a felicidade


| Tempo de leitura: 3 min

Quando levo meus filhos para a Escola Viver, que trabalha com a pedagogia Waldorf, percebo pais, filhos e professores preocupados não apenas com a programação aser cumprida, mas também com a realidade que circunda cada pessoa. Na mais direta palavra: todos ali estão preocupados com a essência e com o ser humano, deixando de lado as ninharias que cercam o nosso cotidiano. Resumindo ainda mais, a preocupação essencial é com a pessoa... e não com metas, propósitos, regras e receitas infalíveis de educação.

Toda manhã, na entrada da escola, tomamos o nosso café e nos servimos de uma boa prosa, que vai rechear o dia de novas e boas atitudes, sempre em busca de um estilo de vida cada vez melhor. Foi em uma dessas ótimas conversas que puxei um assunto. Melhor, puxei uma pessoa. Objetivamente, perguntei na mesa do café, sobre uma entrevista da semana publicada no nosso Jornal da Cidade. Eu falava da entrevista com o “ibopeado” Flávio Pedroso. Ou, se preferirem, com o Flávio “jovem em tempo de carinho” Pedroso.

Tapei o jornal e perguntei: “quantos anos tem esse cara?” Rapidamente os números surgiram: 60, 62, 58... e por aí foi. Tirei a mão da página e li: 72. Incrédulos, os “pais waldorf”, acostumados a exercícios plenos de sabedoria, criatividade, felicidade e sensibilidade, perceberam que qualquer ser comum pode ser jovem o tempo todo da vida, basta ser feliz. E eu tasquei uma frase de efeito: “acho que até em velório o Flávio Pedroso tem bom astral.

Aprendi, nos cursos de yoga, stress e cultura indiana, que o homem resolve ser feliz e é. Mas se ele resolve ser infeliz, sai por aí mancando de uma perna, sempre doente, infeliz, bêbado, falando mal de todo mundo e, ainda por cima, completamente infeliz. Triste fim de Policarpo Quaresma, diria o professor Sinuhe Daniel Preto.

Criando uma lógica desta vida cíclica, joguei isso tudo em uma palestra para os professores da rede municipal da cidade de Pederneiras, falando sobre o compromisso que devemos, todos nós, aos nossos alunos. Primeiro o compromisso com a felicidade e o bem estar de todos; segundo, o compromisso com a educação que possibilite formar jovens livres e com estilo de vida; e terceiro, o compromisso profissional de ensinar o que realmente é preciso ensinar.

As quase duzentas professoras presentes à palestra, entusiasmaram-se em falar sobre suas experiências na área pedagógica. E eu insisti: vamos fazer como Bento Santiago, o narrador de Dom Casmurro, de Machado de Assis. Vamos “unir as pontas da vida”. Em outras palavras, vamos deixar como modelo para os nossos alunos o ideal de felicidade, positividade, cooperativismo e coragem, que toda criança e todo jovem precisa. O mal humor não pode ter lugar em um mundo de paz, que queremos construir. Claro que não podemos fazer como o Bentinho, de Dom Casmurro, que inventou verdades próprias sobre a vida de todas as pessoas do romance.

Enfim, unir as pontas da vida” é estar com pessoas “comprometidas e participantes” da educação dos próprios filhos; é se espelhar no bom humor de pessoas como o jornalista do Jornal da Cidade, Flávio Pedroso; é afastar-se das atitudes insanas das pessoas que usam a máxima do “quanto pior, melhor”; é simplesmente unir as pontas da vida... definitivamente, deixando o passado no livro de memórias, saudando o futuro como um dia melhor e vivendo o presente como se hoje fosse o último dia de nossas vidas, o que os poetas chamam de “carpe diem” ou... viver extraordinariamente!

O autor, Reginaldo Tech, é professor, palestrante e colaborador do Jornal da Cidade. E-mail: techbauru@gmail.com