09 de julho de 2026
Articulistas

A barbárie de Bauru


| Tempo de leitura: 2 min

O choque elétrico é um estímulo rápido do sistema nervoso provocado pela passagem da corrente elétrica no corpo. As conseqüências podem ser desde um simples susto até a morte. Isso depende da intensidade e da duração da corrente, que é medida em Ampères. Físicos da Universidade de Brasília (UnB) informam que durante o choque o corpo humano funciona como um condutor de corrente e que pode variar dependendo do trajeto percorrido.

A corrente elétrica é a movimentação de cargas elétricas que podem ser conduzidas através de um fio, uma barra metálica, um pouco de água, ou até mesmo o sangue ou a pele. Quando atingidos, os órgãos vitais, como o coração, podem sofrer lesões irreversíveis. A pele humana possui uma certa resistência à passagem da corrente, que é medida em Ohms, e os resultados vão depender muito da umidade. Quanto maior a umidade, menor a resistência do corpo.

Conheça algumas conseqüências do choque: 1 miliampère (mA) é considerado normal; de 1 a 9 ocorrem as contrações musculares; 9 a 20 surgem contrações violentas, dores e perturbações; 20 a 100, morte aparente, a dor é insuportável, perturbações circulatórias graves com fibrilação (contração descoordenada do coração) e parada respiratória. Mais de 100, asfixia imediata e fibrilação do coração. Vários ampères levam a queimaduras graves (inclusive de órgãos internos) e morte imediata.

Você pode levar um choque causado por fiações energizadas, eletrodomésticos, lâmpadas, chuveiros, cercas elétricas, baterias, turbinas, motores, eletricidade estática, painéis solares, reatores, geradores, cataventos e ainda por peixes-elétricos, raios e... torturadores. Mais que ampères, ohms e volts estes últimos agregam uma nova terminologia ao mundo da eletricidade, a covardia. Personagens nefastos que povoaram da Inquisição ao Holocausto, dos porões ditatoriais a Guantánamo, eles estão mais próximos do que podemos imaginar, reconhecer ou tolerar.

O diferencial daqui é que parece não ser preciso dar-se ao luxo de mirabolantes justificativas para intencionais perseguições. Talvez pela certeza da impunidade, basta chegar e executar. Na ausência de bruxas, terroristas e legítimos comunistas, os neotorturadores tupiniquins podem contentar-se com crianças, por acaso pobres e por mera coincidência, negras. E se suspeitas de praticar um roubo, melhor ainda. Ouvir a dor, o desespero e sentir a morte de um filho durante eternos 71 minutos, no seu próprio lar, por nossos próprios servidores, fardados, armados e em bando, não é um sofrimento que uma mãe mereça suportar e uma sociedade permitir.

Somos um país atrasado quando o Estado é incapaz de produzir esperanças para seus jovens pobres, proporcionar uma formação ética para seus soldados fortes e corrigir com justiça os desvios. O pior é quando aceitamos a barbárie de forma omissa e passiva. Aí, já não é mais o país que é ruim, somos nós.

O autor, Luís Victorelli, é jornalista - e-mail: lvbauru@gmail.com