Que no dia 25 de dezembro celebramos o nascimento de Jesus, todo mundo sabe. A data também marca a ocasião em que muitas famílias se reúnem em torno de uma mesa farta para celebrar. Mas para muitos, a comemoração não é completa.
Isso porque neste mesmo dia muitas pessoas fazem aniversário e, ao contrário daqueles que cumprem mais um ano de vida, não recebem presentes em dobro, por exemplo. Também não há festas de aniversário, em virtude da ceia de Natal, muito menos uma comemoração única por esse motivo. Imagine esperar o ano todo para comemorar um dia único, somente seu, e ter que “dividir o privilégio” com outras pessoas.
A auxiliar de cozinha Natalina Moreira da Silva, 52 anos, afirma que nunca parou para pensar seriamente nesse assunto. Ela, que faz aniversário hoje, afirma, porém, que nunca ganhou presente em dobro em virtude da coincidência de datas. “Eu acho que deveria ganhar dois presentes, o que seria justo”, exige. “É duro fazer aniversário nesse dia porque eu ganho apenas um”.
Mas e na hora da entregá-los? “As pessoas falam ‘feliz Natal’ e ‘feliz aniversário’ ao mesmo tempo”. Natalina diz, no entanto, que não se importa com o fato. “O importante mesmo é o carinho das pessoas”.
Com muito bom humor. É assim que a professora Maria Angela Rondini, 57 anos, encara o fato de ter nascido no dia 25 de dezembro. “O único inconveniente é mesmo ganhar só um presente”.
Elas lembra que nunca teve uma festa específica de seu aniversário, mas nunca deixou de ganhar presentes dos pais. “Não tínhamos noção de como era uma festa, ao contrário de hoje em dia, com o consumismo descarado. Estávamos satisfeitos com aquilo que os pais faziam. Com comida na mesa, tudo era festa”, comenta a professora.
De qualquer forma, Maria Angela acredita no bom velhinho. “Acredito em Papai Noel e até hoje passo isso para meus netos. É a fé que faz o Papai Noel viver dentro de nós”, diz. E já veio algum presente antecipado? “Só de Amigo Secreto! Mas o pior de tudo é quando a gente vai receber um (presente) no dia de Natal. As pessoas chegam falando que ele está valendo para as duas datas. Aí eu digo que são todos muquiranas!”, brinca.
O médico Luiz Carlos Regina Cardoso, 65 anos, ia se chamar Natalino, em razão da ascendência italiana pelos avós e por ter nascido no Natal. Ele conta que houve até mesmo briga familiar para a escolha de seu nome. “Meus avós queriam que eu me chamasse Natalino, mas minha mãe optou por Luiz Carlos, em razão de um médico que a ajudou em seu parto”, recorda. “Foi uma briga danada com os italianos!”, completa.
Cardoso também se queixa do fato de receber apenas uma lembrança e da dificuldade em reunir amigos para celebrar seu aniversário. “Na própria ceia de Natal, sempre tem bolo e eu comemoro com a família, mas festa de aniversário é muito difícil de fazer nessa época”, finaliza.