10 de julho de 2026
Nacional

Morre cardeal d. Aloísio Lorscheider

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Morreu na madrugada de ontem o cardeal d. Aloísio Lorscheider, 83 anos, arcebispo emérito de Aparecida (167 km a nordeste de São Paulo) e ex-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O arcebispo emérito de Aparecida nasceu em 8 de outubro de 1924, em Picada Geraldo, Estrela, no Rio Grande do Sul. Ingressou em 1934, no Seminário dos padres franciscanos, em Taquari, onde fez os cursos Ginasial e Colegial.

De acordo com boletim do hospital São Francisco, ele morreu em função do falecimento de múltiplos órgãos. Ele estava internado no hospital desde 28 de novembro. Seu estado de saúde piorou e foi considerado grave no último dia 11, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Seu corpo será velado na catedral de Porto Alegre e o sepultamento será no Convento de Daltro Filho, a 130 km de Porto Alegre. Gaúcho de Estrela, d. Aloísio era franciscano e foi ordenado presbítero em 1948.

Em 1962 foi ordenado bispo e assumiu a diocese de Santo Ângelo (RS) e tornou-se arcebispo de Fortaleza (CE) em 1973 onde ficou até 1995. Naquele ano, foi transferido para Aparecida, tornando-se arcebispo emérito em 2004. Entre as muitas atividades desenvolvidas pelo cardeal, destaca-se a presidência da CNBB, cargo que exerceu por dois mandatos de 1971 a 1978. Antes, foi secretário geral da instituição. Foi também presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) no período de 1976 a 1979.

Nomeado cardeal pelo papa Paulo VI, em 1976, d. Aloísio participou dos conclaves - cerimônia fechada em que o futuro papa é escolhido- que elegeram os papas João Paulo I e João Paulo II, ambos em 1978.

Nota da CNBB

Íntegra da nota divulgada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) sobre a morte de: “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu com tristeza profunda a notícia do falecimento do eminentíssimo cardeal dom Aloísio Lorscheider, ocorrido em Porto Alegre na aurora deste quarto domingo do advento, dia 23 de dezembro. Admirado por sua inteligência e santidade, d. Aloísio tornou-se uma referência para o episcopado brasileiro pelo testemunho de amor e coragem na defesa dos mais empobrecidos, fruto de sua de fé em Jesus Cristo e de seu zelo no serviço à igreja.

Atuando de forma irrepreensível na vida da igreja do Brasil e da América Latina, d. Aloísio exerceu com brilhantismo e sabedoria incomum a presidência da CNBB e do Celam (Conselho Episcopal Latino-americano). Igualmente, as dioceses por onde passou haverão de ter, no seu exemplo, a imagem do verdadeiro pastor que ama, cuida e conhece as próprias ovelhas. Imbuídos do espírito do evangelho, elevamos a Deus nossa prece de gratidão por todo bem que dom Aloísio fez ao longo de seu profícuo ministério.

Recordando sua história marcada por obras que anunciam o Reino de Deus entre nós, ouvimos, como suas, as palavras do apóstolo, brotando do silencioso sofrimento que o acompanhou em seus últimos dias: “combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Desde agora, está reservada para mim a coroa da justiça que o Senhor, o juiz justo, me dará naquele dia” (2Tm 4,7s). Como eleito predileto do Pai, dom Aloísio recebe agora “a coroa imperecível” dos que viveram com fidelidade sua vocação, na doação contínua e ininterrupta aos irmãos. Às vésperas do Natal, festa da vida e do amor, ele ouve o chamado do Redentor: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor” (Mt 25,21).”

____________________

Lula destaca dedicação do religioso

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota oficial ontem para lamentar a morte do cardeal d. Aloísio Lorscheider. Na nota, Lula afirma que recebeu a notícia da morte de d. Aloísio com “pesar e tristeza” ao ressaltar a dedicação do religioso “aos pobres e à justiça social”.

Segundo Lula, o exemplo de d. Aloísio vai permanecer vivo para todos os brasileiros. “Ele sempre esteve ao lado dos mais fracos, confortando-os e apoiando suas causas. A seus familiares, amigos e seguidores desejo a paz necessária para enfrentar este momento de dor e saudade”, afirma.

O presidente ainda lembra, na nota, que d. Aloísio foi “um símbolo da luta pelos direitos humanos”, com especial destaque para sua atuação como presidente da CNBB.