São Paulo - Programada para ser aberta na última semana no Canadá, a análise da contraprova de Rebeca Gusmão deu resultado “inclonclusivo”. O laboratório Armand Frappier não conseguiu verificar se a testosterona encontrada na análise foi ou não produzida pelo corpo da atleta.
O motivo seria que a amostra enviada ao Exterior não conteria urina suficiente para a realização do exame IRMF, que verifica se a testosterona é endógena (produzida pelo próprio corpo) ou exógena (oriunda de fora do organismo). Os canadenses, entretanto, prometem continuar tentando obter algum resultado do material que possuem em mãos.
De qualquer forma, o problema já abre uma brecha para a defesa da atleta, que tem índices olímpicos para as provas dos 50m e 100m livres. Como Rebeca alega que seu corpo produz testosterona acima do normal por conta de ovário policístico, os advogados dela podem até mesmo pedir o encerramento da suspensão preventiva a qual a brasiliense está submetida desde o início de novembro.
“Tudo indica que acharam testosterona exógena na contraprova, mas disseram que o resultado não é conclusivo e será revisado. E o processo tem uma série de irregularidades”, explicou o médico o médico cubano José Blanco Herrera, que é especialista em doping e foi ao Canadá como representante da nadadora brasileira.
O mesmo laudo conseguido por Blanco Herrera no Canadá deve ser encaminhado à Fina hoje. Mas o médico de Rebeca já prevê que o processo vá parar na Corte Arbitral de Esporte (CAS), em Lausanne, na Suíça. “Eles começaram a análise na terça-feira e me disseram que na quarta à tarde poderia estar pronta. Ficou para quinta-feira, mas nesse dia os funcionários do laboratório tinham uma festa de confraternização. Esperei até sexta-feira. Não me ligaram até o meio-dia, eu bati na porta do laboratório. Queriam mandar o relatório por fax, mas insisti que não voltaria para o Brasil sem o laudo”, contou Blanco Herrera, ao explicar o que passou nos últimos dias no Canadá. “Recebi o laudo por pressão, mas ele diz que o resultado não é conclusivo.”
Blanco Herrera disse que “nunca viu a abertura de uma contraprova assim” e atribuiu a demora, provavelmente, à mudança de sede do laboratório canadense.
Rebeca está afastada das competições por conta de um exame antidoping positivo para testosterona feito no dia 13 de julho, data da abertura do Pan. Na época, o resultado indicou que a substância encontrada vinha de fora do corpo da atleta.
A defesa, porém, alega que o processo contra a nadadora possui uma série de irregularidades e conta inclusive com o apoio de Renata Castro, ex-diretora do departamento médico da CBDA. Em depoimento à polícia, ela afirmou que o médico Eduardo de Rose, responsável pelo antidoping durante o Pan, busca intencionalmente encontrar culpa na atleta.
Como Rebeca está respondendo um outro processo por suposto uso de testosterona, a atleta pode até mesmo ser banida da natação.