08 de julho de 2026
Polícia

Vítima de roubo briga com ladrão

Por Wagner Carvalho | Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

As imagens gravadas pela câmera interna de um pet shop da Bela Vista impressionam: a funcionária do estabelecimento, Aline Fernanda Ruiz, 18 anos, reage a um assalto, tenta tomar a arma do ladrão, chega a segurá-lo pela camiseta e ainda corre atrás dele dentro do estabelecimento. Por sorte, ela não se fere com gravidade - a suspeita é que a arma usada era de brinquedo – e o ladrão foge levando R$ 300,00 em cartões de recarga de telefone.

O assalto ocorreu no último sábado, por volta das 15h. Aline, que saiu da briga com hematomas no braço, disse que enfrentou o ladrão porque notou que pistola que ele usava era de brinquedo. “Antes do rapaz apontar a arma para mim, ele bateu o revólver no balcão e o barulho me deu a certeza que era de brinquedo”, contou. Porém, como o ladrão não foi preso, não há certeza de que tipo era a arma usada.

De acordo com a balconista, o assaltante estava acompanhado de um segundo rapaz. A dupla esteve na loja no sábado por pelo menos quatro vezes antes de um deles entrar de novo no estabelecimento e anunciar o assalto. Ela contou que o comparsa do assaltante chegou a comprar R$ 1,00 de ração minutos antes do roubo.

“Os rapazes vieram várias vezes até o balcão perguntar sobre os cartões de recarga para celular e, na última, por volta das 15h, um deles efetuou o assalto”, lembra Aline. No sábado, a loja comemorava mais um ano de funcionamento e, por isso, registrou um grande movimento.

Como a loja possui câmera interna, toda ação foi gravada. O rapaz que praticou o assalto é moreno, alto, vestia camiseta e bermuda e usava boné. Ele se aproximou do caixa e pediu um cartão de recarga. Enquanto a balconista realizava uma venda, o rapaz armado com uma pistola anunciou o assalto. “Ele bateu a arma no balcão e, então, eu percebi que era de brinquedo. Nesse momento, resolvi reagir, mas ele me agrediu no braço e conseguiu levar alguns cartões”, lembrou a balconista.

O proprietário do pet shop, Élder Lobo, estava nos fundos do estabelecimento e não percebeu nada de estranho. “Tenho certeza que são presos que são soltos para passar as festas com família e vão para as ruas para assaltar as pessoas”, disse. Aline também concorda com o patrão. “Eu acho que eles queriam os cartões para levar para a cadeia e passar trote (golpe) nas pessoas de dentro dos presídios”, completa.

Com um hematoma no braço, resultado da agressão sofrida, a jovem contou que passou o final de semana muito nervosa e só dias depois conseguiu refletir sobre o perigo que esteve exposta.

“Não recomendo às pessoas reagirem em caso de assalto, mesmo que percebam que se trata de uma arma de brinquedo”, orienta Aline. A balconista disse que é capaz de reconhecer os assaltantes, que não se preocuparam em cobrir os rostos para realizar o roubo.

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Polícia orienta a não reagir

Em casos de assalto, a orientação da polícia é jamais reagir porque o risco de ser ferido – e até morto – é grande. “Para o ladrão, via de regra, é tudo ou nada. É ele quem sempre está em vantagem, sem falar que pode estar drogado ou embriagado. E mesmo que não tenha usado droga ou bebida alcoólica, está com a adrenalina alta”, enumera o delegado Abel Cortez, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que está investigando o roubo na tentativa de identificar e prender o assaltante do pet shop.

Para o delegado, a balconista Aline Fernanda Ruiz, que reagiu ao ser assaltada, teve sorte em não se machucar com gravidade. “Em muitos casos, o ladrão atira e mata a vítima. Na semana passada, uma mulher reagiu ao ser assaltada também na Bela Vista, em frente à Secretaria da Fazenda, e foi baleada”, lembra.

Aline pondera que a arma usada pelo ladrão era de brinquedo, mas o delegado ressalta que é difícil fazer esta diferenciação apenas num rápido olhar. “Ela pode ter se enganado porque temos armas cuja parte de baixo é de plástico – a de cima é de metal. Além disso, mesmo que a arma seja de brinquedo, o assaltante pode ter uma faca e sacá-la numa reação”, alerta.

A orientação da polícia é, em caso de assalto, não reagir e atender as ordens do ladrão, observando características físicas e outros detalhes que possam ajudar na identificação dele posteriormente. E assim que ele fugir, acionar a polícia o mais rapidamente possível.

Abel Cortez informou que vai solicitar cópia do vídeo gravado pela câmera interna do pet shop para análise, na expectativa que ele ajude na identificação e posterior localização do ladrão. “Já iniciamos a investigação neste sentido”, completa.