Piratininga - As famílias de sem-terra do Horto Florestal de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) aguardam o cumprimento da liminar de reintegração de posse, expedida pela Justiça no último dia 21 de dezembro, para deixar a gleba de terra que ocuparam há cerca de duas semanas. Ontem, a Polícia Militar (PM) esteve no local, junto com um oficial de justiça, para dar início às conversas com as famílias que ocuparam pacificamente a área.
Conforme o JC noticiou na edição da última quinta-feira, cerca de 60 famílias de sem-terra deixaram a área central do Horto Florestal de Piratininga, onde moram há nove anos, e ocuparam a região mais alta do horto junto às plantações de eucalipto da Ripasa. Os integrantes do grupo disseram que ocuparam o novo local apenas para chamar a atenção.
O grupo alega que o contrato de 21 anos da Ripasa - para exploração da área - com a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) teria vencido no dia 6 de novembro deste ano e que agora, portanto, as terras do Estado podem ser destinadas para a reforma agrária.
Após a ocupação, a Ripasa entrou com ação de reintegração de posse da área. No dia 21 De dezembro, foi concedida pela Justiça a liminar garantindo a reintegração. Conforme o engenheiro florestal da Ripasa Claúdio Oriani informou à reportagem, a empresa possui três contratos com a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) referentes a três lotes que, pela cláusula, têm vencimentos respectivamente em 2009, 2010 e 2011.
Wanderson Marcelo, 33 anos, integrante do grupo sem-terra explicou ontem à reportagem que as famílias ainda permaneciam na área e aguardavam o cumprimento da liminar de reintegração de posse para deixarem o local. “Nós tivemos notícia de que haveria reintegração de posse hoje (ontem), na parte da manhã. Estamos aguardando mas por enquanto não chegou nada. Nós estamos pretendendo deixar o local e não criar grau de resistência”, afirma Marcelo.
Segundo ele, o grupo deve entrar com ação na Justiça para contestar os argumentos da Ripasa. “Nós estamos trabalhando. Tem um advogado mexendo com isso. Estão preparando recurso lá em São Paulo. A defesa está pronta. Só estamos esperando a reintegração (de posse) chegar”, revela.
Em nota, a assessoria de imprensa do Itesp informou que a diretoria do órgão “está solicitando, por ofício, ao órgão federal responsável pelo patrimônio em questão, o esclarecimento relativo às datas necessárias para a contagem dos prazos previstos no contrato”. Ainda segundo a assessoria, hoje, “a área não é de responsabilidade do Itesp, que tem interesse em recebê-la para a realização de novo assentamento de trabalhadores rurais paulistas”.