09 de julho de 2026
Nacional

Ambulatórios do HC de São Paulo só receberão pacientes após o Carnaval

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Os ambulatórios de especialidades do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo só receberão novos pacientes após o Carnaval. Neste período, os pacientes que foram encaminhados por Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para os ambulatórios da rede estadual e que deveriam ir para o HC irão para outros hospitais especializados, como o do Mandaqui. O Prédio dos Ambulatórios do HC está interditado desde o último dia 24, quando um incêndio obrigou centenas de funcionários e pacientes a deixar o prédio às pressas.

De acordo com o HC, o desvio de pacientes para outros hospitais pelos próximos 30 dias é necessário para desafogar o complexo. Inicialmente, o HC anunciara a intenção de reabrir ainda no próximo dia 2 de janeiro.

Somente ontem, 556 consultas e exames originalmente agendados para ocorrer no Prédio dos Ambulatórios foram reagendados. Desde quarta, primeiro dia útil após o incêndio, mais de 4 mil consultas e exames foram adiados. Ontem, equipes ainda trabalhavam na limpeza do centro cirúrgico do prédio, que fica no 9.º andar.

De acordo com a diretoria do HC, quase todo o andar ficou coberto de fuligem após o incêndio e, por isso, tudo precisa ser limpo, esterilizado e testado antes de ser utilizado mais uma vez, sob risco de prejudicar algum paciente. Parte do prédio continua sem energia.

Investigações preliminares indicam que o incêndio começou com um curto-circuito em uma subestação do prédio, e que a fumaça se espalhou por todos os andares pela tubulação de ar-condicionado. O caso é investigado por equipes do Corpo de Bombeiros, do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil de São Paulo, do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), da prefeitura, e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), do Estado.

Acusações

O promotor Reynaldo Mapelli Júnior disse anteontem que o HC não tinha um plano de emergência para enfrentar incidentes como o incêndio, e que ele só não terminou em tragédia graças ao “heroísmo de profissionais”. Mapelli Júnior e a promotora Anna Trotta Yaryd acompanham os pacientes e investigam se houve negligência da direção do hospital. Um dos fatores a serem apurados é o adiamento da obra de reforma da subestação de energia do subsolo do Prédio dos Ambulatórios, onde começou o incêndio.

A obra estava prevista desde 2005, mas não foi realizada. O HC é uma autarquia vinculada ao governo José Serra (PSDB). Anteontem, o governador disse que o hospital tem autonomia para decidir como usar a verba destinada pelo Estado. Ele nega que tenha havido algum tipo de contingenciamento.