EM 2008, AME-SE
Ame-se e descubra que em qualquer momento,
você vai poder estar sempre no lugar certo,
na hora certa, no momento exato,
e isto se chama autoestima....
Ame-se e entenda que a sua angústia
e sofrimento emocional não passam de um sinal
de que você está indo contra suas vontades
e isto se chama autenticidade...
Ame-se e pare de desejar que sua vida
seja diferente e comece a ver que muito
do que acontece ao seu redor contribui
para seu crescimento e isto se chama amadurecimento...
Ame-se e perceba como é ofensivo
forçar alguma situação, ou alguém apenas
para realizar o que deseja, mesmo sabendo
que não é o momento ou que aquela pessoa
não esteja preparada para tanto,
e isto se chama respeito...
Ame-se e comece a se livrar de tudo
o que não lhe for saudável,
de qualquer coisa que o coloque para baixo
e aprenda que isso não é egoísmo,
que isto se chama tão somente amor próprio...
Ame-se e não tenha vergonha de seu tempo livre,
de se envolver com grandes planos,
faça o que acha certo, o que gosta,
no seu próprio ritmo e descubra
que isto se chama simplicidade....
Ame-se e desista de querer ter sempre razão
e com isso você vai errar muito menos
e entender que isto se chama humildade...
Ame-se e deixe de reviver o passado,
de se preocupar com o futuro
e se mantenha no presente
que é onde a vida realmente acontece,
encare o dia a dia, enfrente a realidade,
e saiba que isto se chama atitude...
vida em felicidade, vida em plenitude...
Ame-se e não feche suas portas,
estenda suas mãos, espalhe amor
e... Feliz 2008. Carlos Iunes
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O RETIRANTE
Amedrontei-me no cenário entardecido
e suas voláteis calcitas efervescentes evaporei
em febre amarela interrogativa,
cruzando a zebra asfáltica,
entre o verde
da antiga e primogênita
praça Rui Barbosa
e a metade construtiva
tencionando em linhas vermelhas a paisagem.
Ao longe
no Feudo capitalista do Grande Irmão
a propósito das pedras de desenhos quadriláteros,
Portuguesas nacionais,
as falas portáteis tomavam quase todo elenco
que tinham suas próprias câmeras
na palma de suas próprias mãos,
conversavam com elas e elas filmavam.
Amedrontei-me, de fato.
Aquelas mãos, próprias mãos,
não abanavam
nem calor, nem cumprimento,
diziam à sua extensão algo
doutrinando os olhos
a uma reta espásmica a mim
que no meio do palco
não era filmado.(Barbosa Junior)
Dio - Barbosa Junior
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A rosa e o mar
Andando sozinha na praia
Vi uma rosa, boiando no mar
Pareceu; me sorrir discreta
Tentando fazer-me pensar...
Em como, após a tempestade,
Pudesse ainda enfeitar,
Quem lhe roubou todo perfume
E ainda tentou lhe afogar.
Que sentimentos são esses,
impossíveis do mar afogar?
E a rosa mostrando-se amiga,
Em suas ondas continua a brincar?
Após o sol castigá-la o dia todo,
E o vento frio à noite lhe soprar,
Ela espera o amanhecer tão serena...
Em suas pétalas ver o dia clarear!
E andando pela praia tanto tempo,
Penso, se um dia irei alcançar,
Sentimentos assim tão nobres,
Quanto os da rosa pelo mar;
E me envergonho então, no momento,
Com o olhar preso a fitar...
O mar afogando a rosa,
E a rosa... enfeitando o mar.
Simonne Di Piero
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CHOVE
Chuva, chove suave,
Derrama sua lágrimas na natureza,
Molhe o mundo, molhe tudo.
Devolva a esperança,
Das terras áridas do meu sertão.
Deixe florir a natureza,
Transbordar rios e riachos.
Me enche de esperança, meu coração.
Corra pela floresta, pelas calçadas da vida,
Pelos vales e montanhas, em pranto;
No entanto não pare de encher
os corações da minha terra:
Com seu tilintar nas janelas da ilusão.
Corra pela estrada da vida,
Em busca do nada.
No entanto, é tudo que queremos,
Por um florir, o nascer e o crescer das árvores e frutas.
Bem longe, lá no meu sertão.
Betinho Meira
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NOSSA VIDA NOSSO MUNDO
Cada instante do tempo
Olhe pela janela do universo
Passando a vida inteira
Momentos suaves dos gestos
No mesmo compasso do pensamento
Sentir o calor do amor
Brotar no fundo azul do olhar
Sempre constante em cada vida
Mergulhar profundamente
no mar
Transcende da alma nua
Corre atrás da liberdade na rua
Do nosso mundo imundo
Sentir a saudade do aconchego
Sem traçado fica calado
O suplício imperdoável
Nos sentidos frios da noite
Esboça um sorriso mórbido
Flui a essência eterna
Ainda há de ver a paixão
Dar asas ao coração
Pousa incansável no ego
Carrega a tristeza ao infinito
Abre caminho do carinho
Tocando seu medo cego
Nesse mundo a vida é nossa.
(Sérgio Coelho – bandeirante do pensamento - séc. XXI)
Sérgio Coelho
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Em Meca-nografia!
Ao som das máquinas...
...move-se o tipo!
Móvel!
Para mover o mundo!
Move-se a máquina...
... de escrever!
Guarda-se a pena!
O tinteiro!
Bate! Bate!
Na tecla...
Da máquina...
...de escrever!
Move o tipo!
Que estava imóvel!
Move-se o tipo-móvel...
...a preencher o vazio!
Da folha em branco!
Samuel Congo da Costa é Poeta Negro em Itajaí