10 de julho de 2026
Geral

Tubulação de água da chuva vira diversão para jovens pobres

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Sem opções de lazer, crianças e jovens pobres de Bauru encontraram no subterrâneo da cidade uma alternativa de diversão permeada por aventuras e muitos perigos, inclusive de morte. De dia ou à noite, e geralmente em grupos, eles exploram galerias de escoamento de água da chuva, especialmente na zona sul.

Era final da noite de anteontem quando a peripécia ganhou holofotes. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados por conta de três adolescentes, com idade entre 13 e 17 anos, encontrados dentro de uma boca-de-lobo, próximo à quadra 28 da avenida Getúlio Vargas, em frente ao Residencial Paineiras.

Numa brincadeira, eles teriam assustado uma pedestre, que acionou a polícia. Apenas o trio optou por não fugir. O restante do grupo teria observado a ocorrência de longe. A turma, que mora na favela do Jardim Europa, já apelidada de Vilaggio 0, é formada por meninos franzinos. Todos entram nas galerias numa baixada do bairro.

Chegam a caminhar pelas galerias por mais de uma hora. Anteontem, estavam munidos de duas lanternas. “Dá até para fazer churrasco lá dentro. É grande. Tem mais gente que entra lá, tem pichações, mas não dá para entender o que está escrito. Quer ir com a gente?”, questiona um dos meninos, certo que a divulgação da aventura lhe renderá bons frutos com a “mulherada” do bairro.

Ele e os amigos, grande parte reticente em conceder entrevista, fazem as incursões pela galeria há mais de um ano. Em alguns trechos, os mais altos rastejam. Em outros, os mais baixos dependem de auxílio para saltar de uma tubulação para outra. “Tem que fazer pezinho. Tem uma agüinha gelada (que escoa pela tubulação), refrescante no calor. É limpo”, comenta outro. Como parte dos entrevistados preferiu não se identificar, os nomes deles serão preservados.

Medidas

As galerias são instaladas para escoar a água da chuva. Todas estão a uma profundidade que varia de um metro a 1,40 metro de profundidade, segundo informa a assessoria de imprensa da prefeitura. O tamanho da tubulação depende da topografia do terreno, mas pode medir de 0,60 metro a 1,50 metro de diâmetro.

Quando há necessidade de vazão maior de água, são construídas células de concreto, em formato quadrado. As galerias de águas pluviais localizadas na região da avenida Getúlio Vargas têm medidas diferentes, dependendo do trecho. Entre as quadras 25 e 27, o diâmetro é de 0,60 metro.

O tamanho do bueiro, abertura no meio fio por onde a água da chuva escoa para a tubulação, também varia. Há três tamanhos considerados como padrão: 1,50m x 1,40m, 2,70m x 1,40m e 3,40m x 1,40m, acrescenta a Secretaria Municipal de Obras, por meio do órgão de comunicação. Como bons exploradores, os meninos já sabem por onde é possível sair, já que o acesso é impossível na maioria dos bueiros, fechadas com concreto e gradede ferro.

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Sem acesso

Ao ser encontrado na noite de anteontem, o trio de adolescentes levantou suspeitas de que planejaria entrar no Residencial Paineiras. Mas mesmo que quisesse, não conseguiria. A rede de galerias da região da avenida Getúlio Vargas e do condomínio termina próxima à Chácara Itália. Essa galeria não permite acesso ao Residencial Paineiras, informa a assessoria de imprensa da prefeitura.