Os seis policiais militares envolvidos na morte do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, no último dia 15 de dezembro, darão seus depoimentos hoje para a Polícia Civil de Bauru. O delegado Marcelo Haddad, que preside o inquérito que investiga as circunstâncias da tortura e morte do jovem, irá ouvir os policiais no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital. A deputada federal Janete Rocha Pietá (PT-SP), membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, vai acompanhar os depoimentos.
De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa da deputada, os depoimentos estão previstos para ocorrer a partir das 8h30, no presídio onde os policiais militares estão presos desde o dia 15. “Espero que este caso seja investigado e julgado de forma exemplar”, ressaltou na nota.
Procurado pelo Jornal da Cidade, o delegado seccional Doniseti José Pinezi informou que só vai se pronunciar sobre o caso no momento da divulgação do relatório final do inquérito.
Os policiais militares tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, 31 anos, cabo Gerson Gonzaga da Silva, 42 anos, soldados Emerson Ferreira, 35 anos, Ricardo Ottaviani, 34 anos, Maurício Augusto Delasta, 33 anos, e Juliano Arcangelo Bonini, 34 anos, estão com a prisão temporária decretada desde o dia 21 de dezembro. Os policiais já prestaram depoimentos para a Justiça Militar, que concluiu inquérito e acusa os seis por homicídio.
A Polícia Civil deve encerrar o inquérito sobre a morte de Rodrigues Júnior em breve e poderá pedir a prisão preventiva dos seis policiais. O relatório do inquérito deverá ser encaminhado ao juiz Benedito Antônio Okuno, da 1.ª Vara Criminal de Bauru, que já recebeu o inquérito da Justiça Militar. O promotor será Djalma Marinho Cunha Filho. Designado para acompanhar as investigações, o promotor João Henrique Ferreira deverá permanecer no caso por mais algum tempo.
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Relembre o caso
Na madrugada do último dia 15 de dezembro, seis policiais militares foram à casa do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, suspeito de ter participado de um assalto no Centro horas antes. Ele e mais um rapaz teriam roubado uma motocicleta.
Os seis policiais entraram na casa da família, no Mary Dota, onde estavam o adolescente, a mãe e uma irmã.
O jovem ficou trancado no quarto na companhia de policiais. A suspeita é que os PMs torturaram o jovem até a morte. De acordo com o Instituto Médico Legal, o rapaz levou choques elétricos que causaram a morte.
Os seis policiais que trabalharam na ocorrência foram presos em flagrante. A motocicleta roubada foi encontrada no quintal da casa do adolescente e a vítima do roubo reconheceu Rodrigues Júnior como autor do crime.
Revoltados com a morte violenta do jovem, moradores do Núcleo Mary Dota protestaram, na noite seguinte ao crime, queimando pneus e galhos na avenida Marcos de Paula Raphael. Também depredaram orelhões, postes de sinalização e semáforos.