Depois de um ano e dois meses operando em Bauru, a Air Minas encerrou na última terça-feira suas atividades na cidade após enfrentar uma grave crise financeira, baixa taxa de ocupação nos vôos e, principalmente, problemas com a concorrência. Segundo o empresário mineiro e presidente da empresa, Urubatan Helou, as dívidas após o período de instalação em Bauru chegaram a US$ 2,5 milhões.
O nível de ocupação dos vôos operados pela empresa se manteve na média de 13%, número considerado, segundo as palavras do empresário, como “o mais pífio da indústria”. A Air Minas operava com vôos diários de ida e volta entre Bauru e São Paulo, além de perfazer a rota Bauru-Cuiabá e Cuiabá-Bauru, com escalas em Araçatuba (SP) e Rondonópolis (MT).
De acordo com Helou, todos os funcionários da empresa que atuavam em Bauru serão reaproveitados pela empresa de transporte que responde pela companhia na cidade. No momento a Air Minas opera com apenas sete dos 11 balcões de atendimento que possuía no Brasil.
Para o presidente da companhia, a concorrência desleal também foi um dos motivos que levaram a Air Minas a concentrar suas operações de atendimento em Minas Gerais - onde a taxa de ocupação chega a 85% - e em regiões que possam proporcionar maior densidade de passageiros.
A empresa, segundo Helou, que operava “com tarifas justas que correspondiam à realidade da aviação brasileira”, sofreu com a forte concorrência da Pantanal. “Eles operaram com preços abusivos durante toda a vida. A partir do momento que chegou a concorrência, baixaram os preços para uma realidade fora do mercado, e por isso decidimos encerrar (as atividades)”, acusa o empresário.
“Me recordo que apenas uma companhia aérea operava no trecho que fazíamos, e a partir do momento em que iniciamos nossas atividades também baixaram o preço”. Para o empresário, a população bauruense foi prejudicada. “Eu acho que o bauruense foi roubado pela empresa congênere, que somente baixou os preços devido à concorrência.”
O gerente da Pantanal em Bauru, Antônio Antunes, rebate as acusações de Helou dizendo que a rota das duas empresas era diferente e que a companhia não opera com base em política de preços dos concorrentes.
“Estamos no mercado há mais tempo”, justifica. “Temos um ônibus que sai do Aeroclube até o aeroporto (Moussa Tobias) em todos os vôos e eles não tinham isso, o que acaba agregando facilidades para o passageiro.”
Após a decisão da Air Minas de cancelar suas operações na cidade, o aeroporto Moussa Tobias disponibiliza atualmente somente duas opções para passageiros que preferem o transporte aéreo. Durante a baixa temporada, a Pantanal oferece quatro vôos diários na rota Bauru-São Paulo-Bauru. A Ocean Air também possui vôos regulares nesta mesma rota.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, está em férias e preferiu não comentar o assunto. Sobre a homologação do aeroporto Moussa Tobias como terminal de cargas, disse apenas que já acionou as autoridades competentes, mas que ainda não há prazo para resposta.