09 de julho de 2026
Geral

Película em óculos de sol evita catarata precoce e lesão na retina

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Aproveitar o sol, tomar uma água de coco e esticar-se em uma cadeira para olhar a paisagem. Até mesmo a hora de lazer pode ser inimiga da saúde se quem estiver aproveitando-a não tomar cuidado com a lente dos óculos escuros que usar. Os olhos necessitam de proteção contra a ação perigosa dos raios ultravioleta conhecidos como UV. O efeito cumulativo da incidência da radiação pode causar catarata precoce e lesões na retina.

Segundo o oftalmologista Georges Said Júnior, os óculos vendidos no mercado informal não têm a película que protege os olhos. “A tecnologia UV custa caro, portanto os óculos vendidos em camelô não oferecem proteção”, diz.

Ele alerta que é mais perigoso usar óculos sem UV do que sair na rua sem usá-los. “Se não for possível comprar óculos de marca, é melhor evitar o sol nos horários de maior incidência, usar boné, viseira ou até uma sombrinha”, diz. O período que exige mais cautela e o uso de óculos escuros com proteção UV é o das 10h às 16h.

Mesmo quem optar por lentes de marca compradas em óticas deve ter alguns cuidados. “Os óculos de qualidade geralmente têm especificado que protege contra a radiação UV e informa dados da fábrica”, diz. Mas se o cliente tiver dúvida, o melhor é procurar um oftalmologista para ele conferir a qualidade das lentes. “Existe um aparelho, que não é obrigatório tem em consultório, mas que muitos oftalmologistas têm. Ele é capaz de detectar se há a proteção ou não”, explica.

Os mais atentos podem olhar nos próprios óculos ou no certificado dele, que deve ter a especificação mínima para garantir a proteção contra os raios nocivos: pelo menos 350 nanômetros para UVB; e 400 nanômetros para UVA e UVB.

Os óculos sem a película e com lentes de plástico distorcem a imagem, segundo o médico. “Quem usá-lo pode sofrer de dor-de-cabeça, cansaço ocular e mal-estar”, afirma. Mas os efeitos a longo prazo são piores. Para proteção adequada, os óculos devem bloquear de 99 a 100% das radiações, filtrar de 75% a 90% da luz e ter lentes cinzas, verdes ou marrons.

Sem proteção, os óculos são prejudiciais à saúde ocular pois os raios ultravioleta atingem mais facilmente a pupila quando o olho está desprotegido. Ao receber o raio UV, a pupila se fecha para se proteger do excesso de luz. O grande perigo dos que não têm a proteção UV é o fato da pupila continuar ‘aberta’ ao receber esses raios.

Doenças

Parte da radiação UV que atinge os olhos alcança a retina. Com o tempo, ela pode lesioná-la. Neste caso, o paciente pode perder progressivamente a visão central. “Não existe cirurgia para reverter esse processo. É possível, apenas, estabilizá-lo”, explica o oftalmologista. Para isso, é preciso fazer um tratamento com laser.

Outro problema comum de quem toma sol sem proteger os olhos é a catarata precoce. “Todos nós teremos catarata um dia, mas ao invés dela surgir aos 80 ou 90 anos, pode vir mais cedo, aos 60, por exemplo”, alerta o médico. Para esta doença, existe cirurgia, mas a melhor opção ainda é a prevenção.

“Além de usar lentes com proteção UV, o ideal é comer frutas, verduras e legumes, especialmente os que têm a coloração verde”, orienta Said Jr. Além do sol, os raios UV também são produzidos por fontes artificiais como solda elétrica, aparelhos de bronzeamento artificial e laser.