Rio de Janeiro - Ao vender drogas para traficantes paulistas ligados ao Primeiro Comando da Capital, a quadrilha de Fernandinho Beira-Mar levou um “tombo” de, pelo menos, cem quilos de cocaína. Policiais federais descobriram o golpe durante escutas da Operação Fénix.
Jaqueline Alcântara de Moraes, mulher de Beira-Mar e presa sob acusação de comandar o bando carioca, cobrou por telefone explicações de Gersy Evangelista, advogada de José Juventino da Silva, o Neném, sobre o desaparecimento da droga. Ele foi preso em flagrante, em 12 de julho do ano passado, com 72 quilos de cocaína e 16 quilos de haxixe.
A droga encontrada na zona leste de São Paulo tinha sido enviada de Foz do Iguaçu. O delegado federal de São Paulo Fernando Francischini, alertado pelo colega delegado Wagner Mesquita, chefe das investigações no Paraná, prendeu em flagrante o traficante paulista e seu filho, Rafael Meneguelo da Silva. A mulher de Juventino, Elizabeth Meneguelo, conseguiu fugir e só foi presa em 24 de novembro.
A notícia da prisão de Neném com apenas 72 quilos de cocaína provocou a ira de Jaqueline. Pouco depois do flagrante, ela apareceu nas escutas telefônicas cobrando explicações sobre o desaparecimento da cocaína. Dizia que a quantidade enviada de Foz de Iguaçu para São Paulo era bem maior. Chegou a falar em, pelo menos, mais cem quilos.
Segundo o delegado Mesquita, nenhuma justificativa para o “desaparecimento” da droga surgiu depois nos grampos telefônicos. Juventino foi apresentado à quadrilha de Beira-Mar como elo com o PCC por José Cláudio Arantes, o Tio Arantes, um dos chefes da facção paulista que também está na penitenciária federal de Catanduvas (PR). Através de sua filha, Jaqueline Kelly dos Santos Arantes, Tio Arantes providenciou que Juventino recebesse a droga da quadrilha para repassar aos demais traficantes em São Paulo. Mas, na primeira entrega, o esquema caiu.
O flagrante de Neném foi apenas um dos 29 provocados por informações levantadas pelas investigações do Paraná. Durante um ano e meio, as apreensões totalizaram 753 quilos de cocaína, quase quatro toneladas de maconha, 50 quilos de crack, 21 quilos de haxixe, quatro pistolas, duas metralhadoras, dois fuzis, R$ 150 mil em cheques e dinheiro, 11 carros, dois caminhões e um avião. E revelou a concorrência desonesta entre os próprios bandidos.