Botucatu – De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente, 80% da população utiliza plantas medicinais no tratamento de problemas de saúde. Porém, nem sempre os produtos naturais são consumidos de maneira correta. A cartilha “Plantas medicinais: da tradição à comprovação”, criada por um estudante da Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), pretende conscientizar as pessoas sobre o uso seguro desse tipo de medicamento.
A cartilha foi idealizada pelo aluno Vinícius Andrade Arce Pais, do curso de ciências biológicas do Instituto de Biociências (IB). A publicação é toda ilustrada, apresenta a descrição física, efeitos terapêuticos e adversos de 15 plantas medicinais. Além de um glossário com termos técnicos.
Segundo Vinícius, a seleção do conteúdo ocorreu após entrevista realizada na Unidade Básica de Saúde do distrito de Rubião Júnior. “Eu identifiquei as plantas que as pessoas disseram utilizar mais. Das 22 citadas, eu escolhi 15, algumas, inclusive, pelo fato de não estarem sendo usadas de forma correta pela população”, explica Vinícius.
Já a aluna Gisele Aparecida Dionísio, também do curso de ciências biológicas do IB, elaborou material que enfocou as plantas medicinais e a hipertensão arterial. A cartilha produzida por ela, com a colaboração da estudante Luciana Maria Feliciano, aborda as origens desse problema de saúde, fatores relacionados como idade, diabetes e tireóide, os tipos de tratamento não-medicamentosos e medicamentosos.
A publicação traz uma introdução a plantas medicinais com linguagem de fácil compreensão para o público em geral. A cartilha possui nove espécies de plantas, sendo apresentados os nomes científico e popular, a família, a parte usada, a ação e contra-indicação. Além do boldo, que aparece como uma advertência porque foi citado pelas pessoas como eficaz no tratamento da pressão alta, apesar de, segundo Gisele, possuir efeito contrário.
Para a produção do material, inicialmente foram utilizados dois questionários. O primeiro, que possuía perguntas referentes ao estilo de vida, história médica e predisposição genética, foi aplicado a 40 freqüentadores do Centro de Saúde I.
Já o outro, foi respondido por 40 alunos do ensino médio da Escola Estadual Professor Américo Virgínio dos Santos. Nesse caso, as questões abordaram o conhecimento dos estudantes em relação às plantas medicinais e à hipertensão arterial, e também identificaram se algum membro da família dos alunos apresentava esse problema de saúde e o interesse dos mesmos em saber mais sobre essa doença.
Os resultados obtidos foram que 67,5% dos entrevistados do posto de saúde são hipertensos e, deste total, 37% fazem uso ou já utilizaram plantas medicinais como auxiliares no tratamento.
No caso dos alunos, apesar de 82,5% afirmarem que possuem familiares que apresentam pressão alta, 65% não souberam definir o que é essa doença. Sobre as plantas medicinais, 70% disseram conhecer no mínimo uma delas.
Gisele destaca que a intenção é que a cartilha seja útil tanto para as escolas como para a comunidade. “A expectativa é que o material facilite aos professores a inclusão do tema educação para a saúde na sala de aula e também desperte a atenção da comunidade na utilização das plantas como método alternativo ao tratamento de hipertensos”.
Os dois trabalhos tiveram orientação da docente Maria José Queiroz de Freitas Alves, do Departamento de Fisiologia, e co-orientação do professor Renato Eugênio Diniz, do Departamento de Educação.
Além da Unidade Básica de Saúde de Rubião Júnior e do Centro de Saúde I, as bibliotecas da Unesp de Botucatu e das escolas estaduais também deverão receber um exemplar de cada cartilha.
Mas de acordo com os alunos do IB, a idéia é ampliar a distribuição e atingir um maior número de pessoas. Para tal, eles pretendem buscar apoio no início do próximo ano.