11 de julho de 2026
Política

Eleição deste ano deve ser mais estratégica, avalia analista político

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Um conjunto de fatores políticos, econômicos, sociais e até mesmo tecnológicos estabelecerá o cenário de disputas que farão das campanhas municipais de 2008 um acontecimento mais estratégico do que o verificado em eleições anteriores. É o que pensa Marco Iten, jornalista especializado em marketing político.

Para Iten, a instituição da fidelidade partidária impôs uma derrota às velhas práticas políticas de utilização de legendas de aluguel para a acomodação de candidatos e apoiadores num arco de alianças sem referências ideológicas e programáticas. “Viveremos, também, uma eleição municipal sem artifícios das coligações e com os comandos partidários locais e regionais com plenos poderes sobre a elaboração de suas listas de candidatos tendo em vista que o instituto do candidato nato, ou seja, o vereador que exerce mandato, agora não tem garantia de sua indicação partidária para a reeleição”, considerou.

Segundo o jornalista, as práticas utilizadas no processo eleitoral também estão sendo aperfeiçoadas, com a nítida profissionalização das campanhas e das ferramentas de comunicação de massa. “As campanhas eleitorais deverão ser profissionalizadas e as de prefeito e vereador deverão apresentar instrumentos de inovação”, enfatizou.

Iten destacou também que a generalização das piores práticas na captação de recursos das campanhas eleitorais - estampada nas páginas políticas e policiais nos últimos anos - acabou por gerar uma uniformização na imagem das agremiações partidárias e o acréscimo nos níveis de descrédito da classe política. “Como decorrência direta, o mito ideológico caiu por terra, generalizando a imagem negativa das agremiações partidárias e impedindo uma diferenciação que seria arma tática nas disputas que se aproximam”, sustentou.

Já sob o aspecto da mobilização popular, Iten observou que as eleições municipais arregimentarão um “exército” de brasileiros. “Elas serão um fator de apresentação de mais de 350 mil candidatos a vereador, vice-prefeito e prefeito em todo o País. Esse grande contingente de candidatos gerará mobilização de apoiadores, contratação de serviços gráficos e serviços especializados, como assessores de imprensa, publicitários, músicos, motoristas, técnicos em informática, confecção de propaganda sob as mais diversas formas, assim como pesquisas eleitorais, dentre tantos quesitos que uma eleição exige para fazer chegar a mensagem do candidato aos eleitores. Estimo que a próxima campanha eleitoral mobilizará mais de 3.000.000 brasileiros, em tarefas voluntárias e contratadas”, disse Iten.

Para o jornalista, as eleições de 2008 deverão reduzir a força do PMDB nas prefeituras em detrimento do crescimento de outras siglas. “Deveremos verificar uma significativa redução da força do PMDB nas prefeituras em todo o País - tendência já observada em disputas passadas - com o aumento de prefeituras conquistadas pelo PSDB, PT, PP, que detém o Ministério das Cidades, e até mesmo do PRB, partido ligado à Igreja Universal e ao vice-presidente José de Alencar”, afirmou. E acrescentou:

“As disputas municipais - que quase sempre se limitam a analisar os resultados eleitorais das principais capitais de estado - serão peças do tabuleiro político das eleições de 2010, ano da sucessão do presidente Lula e da formação de novas alianças partidárias do plano nacional.”

Por fim, Iten mencionou a influência que a tecnologia terá no processo eleitoral de 2008. “Por mais que os políticos tradicionais vejam com ceticismo, a tecnologia já é uma realidade e terá forte influência. Sites, blogs e ferramentas de interação candidato-eleitor serão utilizados amplamente - de forma profissional ou experimental -, aproveitando-se das restrições legais ao uso da mídia de massa e às restrições impostas pela propaganda eleitoral”, concluiu.

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Nacionais x locais

O jornalista Marco Iten também analisou a influência das questões nacionais e locais no processo eleitoral de 2008. “O processo eleitoral não estará imune às questões econômicas e vários serão os fatores que influenciarão o humor eleitoral do brasileiro. O primeiro deles será, certamente, o momento econômico em que viveremos a partir do segundo semestre do ano, principalmente sob o aspecto do crescimento econômico e do custo de vida”, considerou. E completou:

“Mas também muito do que acontece numa eleição municipal está diretamente ligado ao grau de satisfação - ou insatisfação - gerado pela própria administração municipal. Questões do cotidiano das pessoas exerce forte influência sobre o humor e a decisão de apoiar ou tirar determinado prefeito ou grupo político do poder” diz.

“Assim, a limpeza e a iluminação pública, a qualidade dos transportes e as tarifas públicas, a merenda escolar, as eventuais denúncias sobre a gestão municipal, além do estado de ânimo da cidade - o que denominamos como fator psicosocial local - e a mobilização social são componentes que determinam tendências de grande parte das cidades para a decisão do voto no próximo dia 5 de outubro.”