São Paulo - Após receber alta do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o vice-presidente José Alencar pediu ontem aos jornalistas que rezassem por ele.
Um pouco mais magro e de bom humor, Alencar afirmou: “Rezem para mim que o negócio está feio. Estou saindo satisfeito porque eu sou assim mesmo, mas que a coisa é preta, é”, afirmou.
O vice concluiu ontem a primeira fase do tratamento de quimioterapia para combater um novo tumor que se desenvolveu no retroperitônio, na região da cavidade abdominal. O novo nódulo foi detectado há cerca de duas semanas durante exame de controle feito com o médico Paulo Hoff.
Desde a última cirurgia, feita em outubro, quando retirou um tumor na mesma região, ele se submete a exames periódicos. Segundo a equipe médica, Alencar tem um câncer reincidente.
Após três semanas de descanso, ele se submeterá a mais três dias de quimioterapia. Se após esse período o diagnóstico não for satisfatório, ele deverá passar pela quarta cirurgia na mesma região. O vice já fez seis cirurgias de câncer, sendo três no governo Lula.
Remendo
Alencar afirmou que o pacote econômico anunciado pelo governo federal para compensar a perda de arrecadação com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é um remendo, que não irá “consertar” o país.
Alencar disse confiar numa mudança ampla por meio de uma reforma tributária. “Mas, com esses remendos, a gente não vai consertar nunca.” Questionado se entendia que o pacote é um remendo, Alencar afirmou que “tudo isso que se faz, não só isso, são remendos”. A declaração foi feita ao deixar o hospital Sírio-Libanês
Alencar afirmou compreender a iniciativa do presidente Lula em lançar as medidas econômicas na virada do ano. “O governo federal ficou preocupado com a questão da CPMF por uma razão muito simples, porque representou um rombo de R$ 40 milhões. E um dos fatores mais importantes para a estabilidade monetária é o equilíbrio orçamentário.”
O vice afirmou que a maior preocupação de Lula é com o retorno da inflação. “Tivemos um período no Brasil de 80% ao mês de inflação, e nós não queremos jamais voltar àquela situação. Daí a razão pela qual temos de cuidar do equilíbrio orçamentário.”
Oposição
Sobre a reação da oposição ao pacote, disse que, como democrata, respeita o direito de as pessoas pensarem e dizerem o que querem.
Segundo o vice, a Fazenda está preparando uma proposta de reforma tributária a pedido de Lula que será discutida com os Estados.
“O que se deseja é simplificar o sistema tributário. Obviamente que a simplificação traz mudanças que têm de ser adaptadas para não prejudicar determinados Estados.” Ele defendeu o envio da proposta ao Congresso e sua votação o mais “rapidamente possível”.