Nairóibi - Após rejeitar a proposta do presidente Mwai Kibaki de formar um governo de unidade nacional, o líder da oposição queniana Raila Odinga pediu ontem a seus seguidores que ignorem a proibição de protestar e continuem se manifestando contra o resultado da eleição do último dia 27 de dezembro, que manteve Kibaki no cargo.
O apelo indica que a onda de violência que deixou mais de 350 mortos e 250 mil desabrigados pode continuar. Mesmo rejeitando a oferta do presidente reeleito, Odinga disse que aceitaria formar uma coalizão interina para promover um novo pleito em seis meses.
Um porta-voz do líder oposicionista argumentou que, num governo de unidade nacional, o presidente tem plenos poderes, enquanto numa coalizão haveria maior repartição das prerrogativas.
Odinga não abre mão porém de que Kibaki deixe a Presidência. Ele afirmou ver com bons olhos a chegada a Nairóbi, na terça, do presidente da União Africana, John Kufuor, também presidente de Gana, para ajudar na mediação do conflito.
Devido à crise humanitária gerada pelos confrontos entre seguidores de Odinga e de Kibaki, a ONU enviou 666 toneladas de alimentos às regiões de Nairóbi e Eldoret. O Quênia tem 42 grupos étnicos.
O maior são os kikuyus, do qual Kibaki faz parte. Com 22% da população, eles têm sido as maiores vítimas da violência. Odinga, um luo, tem o apoio de quase todos os outros grupos étnicos, que acusam o governo de privilegiar kikuyus.