09 de julho de 2026
Bairros

Em briga de trânsito, vizinho é acusado de colocar arma na cabeça de criança

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Em uma briga de trânsito no sábado à noite, na Quinta da Bela Olinda, o serralheiro Paulo Eduardo Franco, 25 anos, e sua mulher Patrícia Rafaela Ribeiro, 23 anos, acusaram um vizinho de ter sacado uma arma, colocado-a na cabeça do filho do casal, de 1 ano e 4 meses, e ameaçado disparará-la. André Pereira Ribeiro, 32 anos, que é policial militar e estava à paisana na hora da discussão, nega as acusações.

Ele garante que não estava armado e que, portanto, não sacou arma e não fez ameaças. Já Franco afirma que antes de mostrar a arma, Ribeiro passou a xingá-lo. Ele era passageiro de um veículo, que transitava lentamente e brecava com freqüência, provavelmente por conta dos buracos na via. A motorista do carro seria a esposa do policial.

“Para não bater, ultrapassei pela direita, pela via esburacada”, explica o pai da criança. Ainda segundo a versão dele, quando os dois carros pararam, Ribeiro avisou que era policial e sacou o revólver. Patrícia saiu do automóvel com o filho Victor Hugo Eduardo Franco no colo.

“Ele encostou o cano da arma na cabeça do bebê e disse: vocês vão embora ou em mato o menino”, acrescenta a moça. A criança teria ficado com uma marca na testa e foi submetida ao corpo de delito, mas o exame indicou ausência de lesões, segundo informou Ivan Segura, diretor do Instituto Médico Legal (IML). Patrícia também alega que foi agredida pelo policial com um tapa no mesmo local. Depois, teriam entrado no carro e seguido para casa, no Bauru 2000.

Lá, ela garante que o policial a xingou novamente e mais uma vez sacou a arma. Franco disse que acionou o Centro de Operações da PM (Copom) e foi informado que já havia uma viatura se deslocando para o endereço.

Dois policiais militares chegaram à casa do casal, sendo que um deles teria tentado acalmar a situação e, outro, orientado Ribeiro a guardar a arma em casa, segundo relatos de Franco e Patrícia. Ambos seguiram para o Plantão Policial, onde uma ocorrência de vias de fato foi registrada.

Na delegacia, Patrícia e Ribeiro voltaram a se agredir mutuamente, conforme o registrado em boletim de ocorrência. O caso será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), já que a vítima é criança.

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Investigação

A ocorrência envolvendo o policial militar à paisana André Pereira Ribeiro também será apurado pela Polícia Militar. Se for confirmado que ele estava armado e que mentiu, sofrerá sanções administrativas, explica o comandante interino da 3ª Companhia, tenente Paulo César Valentim.

De acordo com ele, o policial nunca tomou qualquer atitude que o desabonasse durante a trajetória policial. “O que está sendo feito é uma averiguação. Todas as pessoas envolvidas serão ouvidas. Se houver conduta criminosa, será apurado pela Justiça”, explica o subcomandante interino do 4º Batalhão de Policiamento do Interior (4º BPMI), Flávio Jun Kitazume.

Para ele, ainda é prematuro fazer qualquer avaliação do caso, já que as declarações das partes são muito conflitantes. Mas segundo a reportagem apurou, caso Ribeiro seja considerado culpado pela corporação, erro de conduta, pode ser punido com sanções que vão de processo demissionário até condenação criminal. Mesmo de folga, os policiais são orientados a não adotar posturas inconvenientes.