Cabrália Paulista - As presas da Cadeia Pública de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) não agüentam mais ficar naquela ‘cadeia’. Querem mudar, porque o prédio não oferece infra-estrutura. Ontem, elas se rebelaram contra a falta de condições no local e o juiz substituto da Comarca de Duartina, Gabriel Baldi de Carvalho, deu um prazo de dez dias para que elas sejam transferidas e o prédio desocupado.
Para protestar, as detentas se recusaram a retornar do banho de sol e não aceitaram o almoço. “Queremos mudar daqui. Vamos fazer greve de fome”, prometeram.
O pedido das 64 presas durante o movimento era um só. Deixar o prédio onde estão, que tem problemas hidráulicos, elétricos e de toda espécie. Uma sugestão delas era a mudança para a cadeia de Avaí. “Em Bauru e Pirajuí tem muitos presídios masculinos, mas não tem feminino. Nós não agüentamos mais.”
Elas reclamam da superlotação. “Estamos em 64. A capacidade é para 30. O esgoto do pátio transborda toda vez que chove e ficamos com o mal cheiro. A parte elétrica dá choque em tudo. As paredes estão caindo e pouca coisa funciona”, afirmam as detentas.
Além da falta de infra-estrutura, as detentas dizem que há ratos por todo lado. “Nós dividimos o espaço com os ratos e um lagarto que vem pelo esgoto.”
A mudança, ainda sem data definida, poderá acontecer conforme a reivindicação das presas, diz o delegado seccional de Bauru, José Donizete Pinezi. “Temos a intenção de transformar a cadeia de Avaí em presídio feminino. Para que isso aconteça, é necessário que os 27 presos com direito ao semi-aberto e os quatro condenados que estão em Avaí sejam transferidos para o sistema penitenciário.”
O que o delegado quer dizer é que dos 57 presos de Avaí restariam apenas 20, presos civis, que poderiam ser transferidos para a cadeia de Duartina.
Trocando em miúdos, a cadeia de Duartina seria masculina e a de Avaí e Pirajuí, femininas. “Em Avaí tem oito celas, cada uma com seis camas que poderiam abrigar as presas de Cabrália, onde a cadeia seria desativada.”
Cavalo doído
O movimento das presas provocou um estresse muito grande nas carcereiras que trabalham em Cabrália Paulista. Foi um corre-corre e muito estresse. Ainda no pátio, elas receberam a informação de que o juíz Gabriel Baldi de Carvalho havia decretado um prazo de dez dias para interdição da cadeia.
Logo depois da saída do juiz, as presas foram recolhidas para as celas e houve novo corre-corre. Dois carcereiros foram abrir a porta do pátio para a entradas das presas e foi pego de surpresa por elas. Ele foi puxado para o pátio. Uma das presas colocou a perna entre a porta, não permitindo que ela fosse fechada.
Um carcereiro que estava do lado de fora usou gás pimenta para se livrar das ‘garras’ das presas. A intenção, segundo apurou a polícia, era fazer um refém, mas não conseguiram. O movimento é conhecido no meio prisional como cavalo de doído.