11 de julho de 2026
Bairros

Motos são 21,9% da frota de Bauru, mas foram responsáveis por 54% das mortes em 2007

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

É inversamente proporcional. Apesar do número de motos não parar de aumentar em Bauru, acompanhando as estatísticas do Brasil - os veículos de duas rodas ainda representavam apenas 21,9% da frota da cidade em novembro do ano passado. No entanto, em acidentes de trânsito, elas matam muito mais em comparação com os veículos de quatro rodas. A cidade fechou o ano de 2007 com 22 vítimas fatais no trânsito, segundo a Polícia Militar (PM), das quais 12 eram condutoras ou passageiras de motocicletas.

Ou seja, as motos, que em novembro eram 36 mil veículos, segundo a 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), foram responsáveis por 54% das mortes nas ruas e avenidas de Bauru em 2007. O número total de mortes no trânsito de Bauru caiu na comparação entre 2007 e 2006, mas as envolvendo motos, aumentou.

Em 2006, a PM registrou 26 mortes no trânsito em Bauru, das quais cinco envolveram moto (19,2%). Em novembro de 2006, a cidade contava com 30 mil motos, que representavam 19,9% da frota. Em outra análise, de um ano para outro, o percentual de motos na frota aumentou em 2% enquanto o de vítimas fatais envolvendo os veículos duas rodas saltou de 19% para 54%.

Vítima de um grave acidente de moto em junho do ano passado, o operador de máquinas Anderson Aparecido Passaia, 21 anos, afirma que nunca mais quer andar no veículo de duas rodas. Ele, que bateu a moto que dirigia na traseira de um treminhão estacionado no Distrito Industrial 2 e ficou 20 dias no hospital, ainda está afastado do trabalho.

Quando voltar à atividade, ele, que mora em Pederneiras e trabalha em Bauru, pretende fazer o percurso de ônibus. “Moto, nunca mais”, frisa Passaia, que agora aconselha as pessoas a evitar o veículo de duas rodas. Por causa do acidente, a tia dele vendeu a moto.

Na opinião do capitão João da Costa Duarte, comandante da 1.ª Companhia da PM, além da imprudência dos motoristas, o aumento das mortes em acidentes com moto tem duas causas. O crescimento no número do veículos de duas rodas e o de pessoas que já tinham o veículo e passaram a usá-lo mais. “Acredito que gente que tem carro e moto tem deixado o carro na garagem e usado a moto porque gasta menos com combustível e é mais fácil de estacionar”, avalia.

Saúde pública

Para especialistas, a motocicleta já está se tornado um problema de saúde pública, conforme o JC publicou em setembro do ano passado. Os acidentes com motos costumam gerar 10 vezes mais vítimas graves que os envolvendo carros. Além disso, o tratamento de um motociclista em estado grave chega a custar US$ 14 mil ao Estado. Entrevistado na época, o engenheiro de trânsito Archimedes Raia Júnior, que também é mestre e doutor em transportes e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), avaliou que a situação em Bauru pode se complicar. “As motos correspondem a um terço dos carros da cidade e são responsáveis pela maioria das mortes. E a tendência é piorar porque a frota de motocicletas só aumenta”, observou.

Também entrevistado em setembro, Dirceu Rodrigues Alves, médico especialista em medicina de tráfego e chefe do departamento de medicina ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), considerou as motocicletas um problema epidêmico. “A motocicleta tem um custo baixo. Tem montadora que vende por R$ 79,00 por mês uma moto nova. Pelos cálculos, fica mais barato ir para o trabalho de moto do que de ônibus”, ressalta. “Então, para acabar com esse problema, só melhorando a situação econômica do País“, ponderou.