08 de julho de 2026
Articulistas

Escolaridade e trabalho


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Dois assuntos que, ultimamente, freqüentam o noticiário, nos levam a reflexionar sobre dois problemas de difícil solução: a educação, que caminha cada vez mais para uma pobreza de conhecimentos, e a preparação dos jovens para preencher as vagas do mercado de trabalho. Os exames feitos pelo MEC e por organismos internacionais têm revelado resultados desanimadores. Os nossos alunos estão aprendendo cada vez menos, justo agora que estamos vivendo a era do trabalhador do conhecimento. O País está começando a crescer, as vagas no mercado de trabalho estão aumentando, mas não há pessoas qualificadas para preenchê-las. Enquanto isso o índice de desemprego continua alto, com muita gente querendo trabalhar, mas não sendo aceita porque não preenche os requisitos mínimos exigidos pelas empresas.

O mercado de trabalho necessita de pessoas preparadas para executar tarefas em todos os níveis do conhecimento. Há trabalhos que exigem conhecimentos no nível fundamental, outros que demandam conhecimentos em nível pouco maior, do ensino médio, e há trabalhos que exigem conhecimentos em níveis mais altos, de educação superior e pós-graduação. Além de conhecimento o trabalho exige habilidades e atitude adequadas. O suprimento de habilidades é dado nas escolas técnicas e nos treinamentos nas próprias empresas. A atitude adequada vem da vivência em casa, na escola e nas empresas, que devem oferecer um ambiente de respeito aos direitos e obrigações. Mas o suporte é o conhecimento, que deve ser adquirido na escola, o que, infelizmente não ocorre a contento.

A popularização do ensino superior, nestes últimos tempos, criou a ilusão de fazer uma faculdade, como se isso resolvesse o problema do emprego. Os empregos se distribuem proporcionalmente aos níveis de conhecimento e qualificação, da base para o topo da pirâmide. Dados do Ministério do Trabalho, fornecidos à Folha (06/01) dão conta de que o maior número de empregos formais, de 2003 a 2006, foi na faixa de baixa qualificação. É melhor, portanto, estar bem preparado no nível adequado, seja qual for, do que simplesmente fazer uma faculdade. Vejam os jovens do Senai que disputaram uma olimpíada profissional no Japão, concorrendo com alunos do ensino técnico de vários lugares do mundo e se saíram muito bem. Estes, com certeza, não terão dificuldades para arrumar emprego, enquanto milhares que fizeram faculdades não encontram emprego ou têm que se sujeitar a empregos que não exigem mais que a oitava série.

Gary Hamel, professor da London Business School, em livro lançado recentemente – O Futuro da Administração - faz um comentário um pouco duro, mas que vale a pena ler: “Os administradores do Google acham que um tecnologista excepcional é muitas vezes mais valioso do que um engenheiro comum; por isso eles insistem em contratar apenas o crème de la crème - o pessoal que está na extremidade direita da curva de Bell (1)... Na opinião deles, profissionais de classe A querem trabalhar com profissionais de classe A – colegas cultos que estimularão seu raciocínio e acelerarão seu aprendizado. O problema é que profissionais de classe B são intimidados pelo talento de classe A, então, assim que entram na empresa, tendem a contratar colegas que são tão comuns quanto eles. Pior ainda, um funcionário de classe B, com problema de insegurança, pode optar por admitir funcionários de classe C, que carecem de autoconfiança para contestar a opinião de toda e qualquer pessoa. À medida que os grupos de medíocres se expandem, torna-se mais difícil atrair e reter os verdadeiramente excepcionais. E, antes que você perceba, o processo de imbecilização torna-se irreversível. “

Se em vez de ficar sonhando com faculdade, que muitos nem podem pagar, os jovens se preocupassem mais em estudar e aprender de fato, e procurassem escolas técnicas, a situação seria outra, para eles e para o País. (1) Em Estatística, o lado da curva normal onde se situam os melhores.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru