10 de julho de 2026
Regional

Capacete e moto são ferramentas do criminoso e desafios para segurança

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Veículos baratos e versáteis, que fluem pelo trânsito, as motocicletas são cada vez mais utilizadas por criminosos. Contando que dificilmente serão identificados por causa do capacete - item de segurança obrigatório -, cada vez mais os ladrões escolhem a moto para fazer o assalto e fugir rapidamente, sem mostrarem seus rostos. Mas neste ano as motos também têm sido bastante usadas em crimes contra a vida em Bauru. Dos seis assassinatos registrados nestas duas semanas de 2008, em dois deles, os caronas atiraram contra as vítimas. Em outros dois, as motocicletas foram utilizadas na fuga. Assim, os criminosos de moto desafiam a segurança pública.

Em uma das tentativas de homicídio ocorrida na cidade, no final de semana, os tiros também foram disparados pelo carona da moto. O problema não é exclusivo de Bauru. Tanto que já surgiram propostas distintas no País para tentar coibir ou dificultar o uso do veículo em crimes. O deputado federal Enio Bacci (PDT-RS) propôs, em 2001, que os números e letras das placas das motos fossem estampados nos capacetes e jalecos dos condutores para tornar mais rápida a identificação dos motociclistas em casos de crime.

Na justificativa do projeto de lei, que foi arquivado, o deputado disse que se baseou no aumento dos crimes praticados com o emprego de motocicletas - já comum sete anos atrás. Com a inscrição das placas nos itens de segurança do motociclista, o deputado avaliava que o trabalho da fiscalização policial seria facilitado. A idéia teria sido adaptada de leis da Colômbia.

Já o deputado Antônio Feijão (PSDB-AP) apresentou, no mesmo ano, projeto de lei determinando que a os capacetes fossem fabricados com material transparente, permitindo a visualização dos rostos do condutores. Seria uma maneira de identificar mais facilmente os criminosos que usam moto. O projeto também foi arquivado. Radical, o juiz Jairo Xavier Costa, do município de São Sebastião, em Alagoas, proibiu o uso de capacete na cidade. Os homicídios em 2007, após a proibição, teriam caído drasticamente.

Para combater o aumento dos índices criminais, a Polícia Militar de Bauru decidiu intensificar a fiscalização de motociclistas. Há duas semanas, quando as estatísticas de furto e roubo de motos aumentou, assim como os assaltos e homicídios realizados com o emprego do veículo, os policiais passaram a efetuar bloqueios de trânsito. De acordo com o capitão Flávio Jun Kitazume, subcomandante interino do 4º Batalhão de Policiamento do Interior (4º BPMI), não existe saída mágica. “Entendo que é caso de fiscalização, de polícia preventiva”, avalia.

Ele revela que a PM irá concentrar a fiscalização de trânsito na abordagem de motocicletas. “Não adianta proibir o uso de capacete, que é item obrigatório de segurança. Mesmo porque o criminoso pode utilizar máscaras, capuzes, óculos”, exemplifica.

Para o delegado seccional Doniseti José Pinezi, se a inscrição das placas nos capacetes reduziram os crimes com a utilização de motocicletas nas cidades colombianas, a idéia poderia ser adotada no Brasil. “O que dá certo, não é vergonha copiar”, destaca. O delegado ressalta que as motos estão sendo empregadas nos mais variados crimes. “A motocicleta realmente é muito utilizada em assaltos, homicídios, tráfico de drogas”, exemplifica.

Por conta própria, há estabelecimentos comerciais, como postos de combustíveis, que pedem para os motociclistas tirarem o capacete para serem atendidos. O objetivo é evitar a ação de ladrões que, geralmente, se passam por clientes e anunciam o assalto quando são atendidos. Em postos de combustíveis não são raros cartazes orientando os motociclistas a tirarem o capacete assim que entrarem nos estabelecimentos.

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Fiscalização

A intensificação da fiscalização da Polícia Militar a motociclistas já mostra resultados. Ontem à tarde, por exemplo, durante um bloqueio, uma equipe da Polícia Militar capturou um foragido da Justiça. O motociclista trafegava pelo Centro e foi parado na Praça Machado de Mello. Ao verificar a documentação do veículo, constataram que havia queixa de furto. O condutor tentou justificar que a moto realmente tinha sido furtada, mas teria sido devolvida.

Como o veículo estaria em nome da mãe do condutor, ele foi apreendido para a comprovação da alegação do jovem. Mas ao checar a situação do motociclista, os policiais verificaram que ele era procurado por roubo e foi detido.