10 de julho de 2026
Bairros

Apesar da chuva continuada, em Bauru índice acumulado está abaixo da média

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Chuva continuada, mas fraca. Assim foi o dia ontem em Bauru, que diferente do Litoral e outras regiões do Estado de São Paulo, não tem enfrentado enchentes. Aliás, se continuar na mesma intensidade, a precipitação acumulada deste mês tende a ficar abaixo da média histórica dos últimos dez anos, que é de 305 milímetros, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). Isso porque nos primeiros 14 dias deste mês - até o início da noite de ontem - a precipitação acumulada em Bauru era de 99,9 milímetros.

A Defesa Civil não recebeu nenhum chamado relativo à chuva nos últimos dias e nem registrou alagamentos em pontos tradicionais da cidade, como a avenida Nações Unidas. “A última ocorrência que tivemos foi no domingo retrasado, quando a enxurrada inundou uma casa na Pousada da Esperança. Nós fornecemos colchão e encaminhamos a família para Sebes (Secretaria Municipal do Bem-Estar Social)”, lembrou o tenente Eros Pereira, coordenador municipal do órgão. “A chuva mais forte desviou de Bauru”, completou.

Logo depois da entrevista, uma moradora do Parque Real telefonou para o Jornal da Cidade para pedir ajuda. Maria Lúcia Pereira da Silva disse que toda sua mudança, inclusive as camas, estava encharcada porque várias telhas de sua casa estão quebradas. “Eu dormi num sofá esta noite e minhas filhas, com os dois netos, foram para casa do meu outro filho”, relatou ela, que não havia acionado a Defesa Civil. “Meu marido é doente e, além de não ter onde dormir, estamos sem roupa seca”, disse a mulher que é catadora de material reciclável.

Informado da situação pela reportagem, Eros disse que iria verificar a situação da família. “Esperamos não precisar, mas estamos com um bom estoque estratégico para casos de enchente. Temos de 60 a 70 colchões, cerca de 1 mil peças de roupas, 250 metros de lona e 300 cobertores”, enumerou o coordenador municipal da Defesa Civil. Por conta do risco de temporal, a Defesa Civil e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) estão divulgando orientações à população.

Apesar de Bauru não ter sido atingida por temporal neste ano e a precipitação acumulada ainda estar baixa, o coordenador adjunto da Defesa Civil do Estado da 7ª Região, Álvaro de Brito, alerta para o risco de chuva forte que cause estragos. “Não podemos descartar a possibilidade de ainda ocorrer chuva forte, de em um ou dois dias chover a mesma quantia do acumulado de 15 dias”, frisou. Pelo menos até sexta-feira, a previsão do IPMet para Bauru é de pancadas de chuva com períodos de sol.

Brito ressaltou que a situação das ruas de terra na periferia é caótica. “Passar de carro ali pelo Parque Viaduto e Jardim São João está um caos. É buraco e mais buraco. Basta ver a quantidade de terra que está sendo carregada para a rua Bernardino de Campos”, comentou. Ele ainda chamou a atenção para a erosão do Jardim Jussara. “É uma situação que preocupa porque ela pode avançar em direção à Bernardino de Campos. A água, que vem da região do Parque Viaduto, já está fazendo caminhos em direção à erosão”, finalizou.