11 de julho de 2026
Polícia

Polícia Civil não vê relação entre os dois homicídios na favela São Manoel

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A Vila São Manoel possui poucas casas e moradores, mas nos últimos dias se tornou um dos lugares mais violentos de Bauru. Dos seis homicídios registrados neste mês, metade tinha relação com o bairro. Duas pessoas foram assassinadas na vila e um antigo morador do bairro foi encontrado morto no Jardim Nova Bauru. Apesar da constatação, os moradores da Vila São Manoel garantem: quem não deve, não teme e dizem não estar preocupados com a violência. Para a Polícia Civil, não há indícios de que os casos tenham ligação.

Na tarde de ontem, a Vila São Manoel estava quieta. Na favela existente no bairro, onde uma mulher foi morta anteontem, os moradores evitavam falar com a reportagem. Não fossem as crianças não haveria comentários sobre a violência dos últimos dias. Assim que o carro do JC chegou no local, elas cercaram o veículo, contando sobre os tiros e a quantidade de viaturas que circularam pela vila desde o final de semana.

Na noite de anteontem, Sandra Rodrigues Sebastião, 31 anos, foi morta com um tiro que teria sido efetuado por seu ex-marido, conhecido como Cuca. O casal morava no Parque Viaduto e estava separado há algum tempo. Ele teria ameaçado a filha mais velha do casal com uma arma, para que ela indicasse o local onde Sandra estava se escondendo.

Ela estava com familiares num dos casebres da favela, acompanhada de outros dois dos cinco filhos do casal. Cuca teria invadido a residência, agarrado a ex-companheira pelo pescoço e efetuado um único disparo. Ele fugiu com outros dois homens e ainda não havia sido localizado pela polícia. Sandra foi socorrida, mas morreu ao após dar entrada no Pronto-Socorro Central.

Pedindo para não serem identificados pela reportagem, os poucos moradores que deram entrevista garantem que o bairro não é violento. “Sempre morei aqui e nunca se estranharam comigo”, destaca uma senhora, na porta do seu barraco. “É só não mexer com ninguém, que o bairro é tranqüilo”, garante o vizinho.

Em outra residência, a família que está há 20 anos no local não tem pretensão de deixar a favela. “Nunca tive problema aqui. O caso de ontem, aconteceu. Meus filhos cresceram aqui e nunca aconteceu nada com eles”, diz uma moradora, sem se identificar. Seu marido concorda. “A gente que é de bem, não tem nada a dever para ninguém”, diz.

A única moradora que afirma que vai se mudar do bairro é a prima de Sandra. Ela está com medo do autor dos disparos voltar. “Nós vamos embora daqui. Ele disse que vai voltar para pegar todo mundo”, diz, sem revelar o nome.

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Sem ligação

O delegado assistente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Ricardo Dias, avalia que não há provas de que os crimes ocorridos na Vila São Manoel tenham ligação. “Não há nenhum indício de que eles estejam relacionados”, afirma.

Além da morte de Sandra Rodrigues Sebastião, outra vítima de homicídio neste ano estava na Vila São Manoel. O zelador de uma antena de rádio instalada no bairro, Samuel Ribeiro, 20 anos, foi morto no último dia 12, com, pelo menos, cinco tiros: dois teriam atingido sua cabeça. O crime ocorreu por volta de 8h30, na quadra 1 da rua Coronel Gomes dos Santos, esquina com a rua Afro França. Os autores do crime não foram identificados e teriam fugido de motocicleta.

Já no dia 7, o homicídio não foi no bairro, mas a vítima era bastante conhecida dos moradores da Vila São Manoel. Cosme Medrado de Carvalho, 47 anos, foi encontrado já sem vida numa quitinete na quadra 2 da rua Ugolino Zonta, no Jardim Nova Bauru.