10 de julho de 2026
Esportes

Interdição nos distritais: Tuga vai avaliar reformas em quatro estádios impróprios

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Pressionado pela necessidade de reformar os estádios distritais para garantir a segurança da realização dos campeonatos amadores de futebol, apontada em laudo efetuado pelo Ministério Público, o prefeito Tuga Angerami informou ontem que solicitará o levantamento de custos para analisar a possibilidade de efetuar obras de melhorias em quatro estádios: Horácio Alves Cunha, no jardim Bela Vista, Padilhão, na vila Giunta, José Carlos Galvão de Moura, no núcleo Gasparini, e Nelson Reginato do Canto, no jardim Redentor.

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da administração, que ressaltou que a partir dos valores apurados nesse levantamento o prefeito definirá se há ou não condições orçamentárias de executar os serviços. O assunto foi discutido, ontem à tarde, entre o chefe do Executivo e o presidente do Legislativo, vereador Paulo Madureira (PP), que apresentou sugestões de melhorias que poderão ser feitas nos estádios distritais dando prioridade à questão da segurança. “Ele pediu para ver os custos e para ver se deixa até primeiro de abril tudo pronto. A idéia é orçar e executar”, frisou Madureira.

O laudo, assinado pelo perito José Alfredo Pauletto Pontes, condenou as condições dos sete estádios distritais da cidade em relação à segurança concluindo que os locais precisam passar por diversas reformas e adaptações, como consertos dos muros, alambrados e sanitários, além de saídas de emergência e privativas para atletas e árbitros e acessibilidade para pessoas portadoras de deficiências físicas. O perito estima, ainda, ser necessário um investimento de R$ 350 mil - R$ 50 mil por estádio - para execução das obras.

Além disso, um impasse instalado entre as ligas amadoras de futebol, a Polícia Militar (PM) e a Prefeitura de Bauru sobre a necessidade de reformas para garantir a segurança nos estádios distritais municipais ameaça seriamente a realização dos campeonatos amadores da modalidade este ano.

Para tentar encerrar a polêmica, o MP, através do promotor de Cidadania e Defesa do Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, concedeu 15 dias de prazo, que se encerra na próxima semana, para as partes apresentarem a minuta de um acordo, que poderia resultar futuramente em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). No entanto, caso isso não se concretize, a Procuradoria já admite a possibilidade de ingressar com ação judicial para impedir a realização das competições, previstas para iniciarem-se entre os meses de abril e maio, interditando os estádios.

Vereadores

Diversos vereadores criticaram a possibilidade da cidade ficar sem os campeonatos amadores. Para João Parreira (PSDB), a prefeitura não pode “lavar as mãos” sobre o assunto. “Faz 50 anos que há campeonato amador em Bauru e ficar sem ele por falta de vontade política é lamentável. E não é nem por dinheiro, pois se quiser basta fazer um mutirão com os próprios funcionários municipais reformar os estádios. É questão de bom senso e boa vontade. É inadmissível não ter o amador em 2008 e simplesmente lavar as mãos em relação ao amador é falta de sensibilidade”, protestou o tucano. E acrescentou:

“Ter R$ 350 mil para reformar os estádios é questão de priorizar. A grande pergunta é o seguinte: gastar R$ 350 mil para poder reformar os estádios em tempo hábil, quanto representa isso em termos de benefício? Isso vai atingir um universo de, no mínimo, 1/6 da população, que não tem outra alternativa de lazer, a não ser freqüentar o campeonato amador. É uma questão de bom senso e não dá para dizer assim que não dá para fazer isso agora.”

Já para o parlamentar Antonio Faria Neto (PDT), faltou sensibilidade à administração. “Acho que a prefeitura devia buscar recursos para reformar os estádios através de parcerias. Quem não pode perder são os torcedores, os jogadores e os times das ligas. Dá para reformar em 60 dias os estádios com o mínimo de segurança e empresas grandes poderiam bancar as obras”, defendeu o pedetista.

O vereador Primo Mangialardo (PV) sustentou que as obras devem ser feitas pela prefeitura, e não por empresas particulares. “A iniciativa privada já faz uma parte muito grande que é pagar os impostos. Não foi feito absolutamente nada e não houve uma reforma dos distritais desde janeiro de 2005. Quem tem de promover esporte, educação, saúde, cultura e lazer é a prefeitura, que recebe dinheiro para isso. Agora se é incompetente para gerir, é a iniciativa privada que terá de pagar?”, argumentou o verde.