Máquinas, caminhões e equipes da Secretaria Municipal de Obras realizaram, ontem, serviço de melhoria das vias de terra no Jardim Chapadão, mesmo bairro onde no final do ano passado a Prefeitura de Bauru teve de pavimentar uma quadra onde a instalação de bloquetes rodou com a ação do tempo.
Um beco sem saída da rua A, no mesmo Chapadão, é o retrato de um programa que fracassou durante o atual governo e que se mantém enterrado desde que a extinta Secretaria das Administrações Regionais (Sear) sucumbiu à denúncias de irregularidades com despesas internas.
Lançado como principal alternativa à ínfima capacidade de investimentos da administração em asfalto e destinado a vias de pouco tráfego e em localidades distantes dos corredores de comércio nos próprios bairros, o programa dos bloquetes também deixa marcas além dos equipamentos adquiridos para esta finalidade. Enquanto as “cortadoras de bloquete” permanecem inutilizadas na Usina de Asfalto da prefeitura, os poucos blocos de cimento que foram para as ruas agora viram “sucata sólida” da Secretaria de Meio Ambiente (Semma).
Em uma das quadras do beco da rua A do Jardim Chapadão é assim. Os blocos instalados no beco ainda resistem. Mas os bloquetes da segunda quadra tiveram de ser retirados. No local, a administração gastou o já racionado estoque de materiais para impermeabilizar as ruas duas vezes. Teve de trocar o bloquete por asfalto.
Segundo o governo, a quadra que recebeu bloquetes “teve o piso substituído por asfalto em novembro de 2007 porque parte do trecho anteriormente pavimentado foi danificado pela ação das chuvas. Os bloquetes retirados do local estão sendo aproveitados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente”.
A inclinação da rua teria sido inconveniente para receber os blocos de cimento. Mas a ação da administração no pequeno trecho indica que o escoamento de água colabora para o problema. E, além de ter visto o bloquete sucumbir na única quadra do beco, os moradores do Jardim Chapadão ainda protestam com a “saída de engenharia” encontrada para tentar reduzir o estrado.
Espera do asfalto
Segundo os moradores ouvidos no local, a própria prefeitura colocou uma barreira de terra no meio da quadra, para desviar o caminho da enxurrada para outro lado, rumo a uma das ruas transversais de terra. “O pessoal da prefeitura colocou esse desvio de terra no meio da rua, virou obstáculo. A gente espera o asfalto”, reclama uma moradora.
Dois quarteirões dali, Antonio Correia de Lima pontua que “as máquinas estão fazendo um serviço emergencial aqui nas ruas de terra. Mas a gente quer o asfalto e quer pagar. A prefeitura tem de lançar logo o programa”, cobra o morador da quadra 4 da rua Maria da Conceição.
Na avaliação do ex-titular da Sear Nélson Fio, o programa dos bloquetes é viável na periferia. Mas o secretário de Obras, Paulo Brites, já disse, anteriormente, que acha o custo muito elevado, sem contas restrições técnicas ao bloco de cimento no comparativo com o asfalto.
Mas para Fio, os moradores com menor poder aquisitivo devem ter a chance de escolher . “O bloquete tem custo de R$ 9,90 o metro quadrado de produção e de R$ 14,20 instalado. Isso é mais da metade do custo do asfalto”, estimou. Bauru tem 350 quilômetros de ruas de terra, um pouco mais do que a distância entre a cidade e a capital do Estado.