09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: O vôo descontrolado


| Tempo de leitura: 2 min

Amigos, numa pescaria, seja ela pequena ou grande, acontecem alguns fatos que se contados de maneira cômica se tornam boas histórias de pescador. Para alguns, as história narradas por nós parecem fantasias da nossa imaginação, mas a maioria delas envolve fatos verdadeiros, apenas são contadas de uma maneira divertida e fantasiada para que surta o efeito desejado tanto em quem escreve quanto em quem lê. Afinal, toda narrativa tem que ter certo suspense. É como um livro ou uma novela que somente no final são revelados as verdades e segredos que existem naquela história.

A minha historinha de hoje é bem simples, porém achei que deveria compartilhá-la com os amigos, leitores do JC. Aconteceu lá na usina hidrelétrica Nova Avanhandava, lá em Buritama (não vou colocar perto de Birigui porque o Paulo Evilazio disse que eu só conto histórias de lá).

Para a construção de uma usina hidrelétrica, é necessário cavar o leito do rio e também suas margens para a retirada de pedras. É quando formam-se algumas crateras em sua volta, que se enchem de água e num milagre da natureza são povoadas de vários animais, inclusive peixes. Numa dessas lagoas, na margem esquerda do Tietê, a gente sempre pescava ou, melhor, caçava, porque nós abatíamos os peixes com uma espingarda calibre 32 de propriedade do nosso amigo Calado, que por sinal tinha uma prática danada para fazê-lo.

Numa dessas “pescarias”, numa tarde de outono, com o sol já beijando o horizonte, resolvemos deixar a lagoa e voltamos para casa, pois já tínhamos algumas traíras no bornal e estávamos satisfeitos. O Calado ia à frente com a espingarda carregada e repentinamente parou à minha frente e fez sinal para que eu me calasse. Me calei e fiquei atento aos seus movimentos.

Ele deu mais uns dois passos e apontou a arma para o chão (tinha avistado uma bela perdiz) e sem pestanejar arrastou o dedo. Foi uma fumaceira danada, mas ele errou o tiro e a perdiz saiu voando bonita e faceira rumo ao matagal mais alto. Foi aí que o inesperado aconteceu: a perdiz se vendo livre e talvez querendo tirar um “sarro” da nossa cara, resolveu olhar pra trás e vejam só a sua má sorte, no momento da olhadela para trás, ela se descontrolou e bateu num coqueiro, caindo desfalecida. O Calado foi até o pé do coqueiro, apanhou a dita cuja e voltou todo orgulhoso com o seu troféu.

Se pensam que estou mentindo, perguntem para o Calado. Ele mora em Birigui e tem um rancho lá na ponte, abaixo de Nova Avanhandava, na margem direita do Tietê.

Ivo de Jesus Ribeiro é pescador e contador de histórias.