10 de julho de 2026
Geral

Funcionários do Manoel de Abreu serão demitidos e recontratados por 3 meses

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Todos os 140 funcionários do Hospital Manoel de Abreu serão demitidos quando ocorrer a transferência de gestão da instituição para o Hospital Estadual (HE) de Bauru. No entanto, eles devem ser recontratados no mesmo dia por três meses, renováveis por igual período. A partir daí, terão que ser aprovados em concurso para continuar na instituição de saúde.

O processo de demissão e recontratação deve ocorrer até o final de fevereiro, quando o hospital deixará de ser administrado pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB). A indenização dos funcionários está calculada em R$ 1,45 milhão.

O valor, que será dividido proporcionalmente, de acordo com o cargo exercido e o tempo de serviço, se refere às indenizações trabalhistas a que os funcionários terão direito após a demissão, como aviso prévio e fundo de garantia. No entanto, segundo informou o superintendente da AHB, Reinaldo Rocha, todos os funcionários serão readmitidos no mesmo dia e passarão a trabalhar em regime de urgência, por no mínimo 90 dias, como contratados do Estado.

Após esse prazo, que poderá ser prorrogado por mais 90 dias, o contrato será rescindido e só permanecerão como funcionários da unidade de saúde aqueles que forem aprovados em concurso público. “Nesse intervalo de 180 dias, o Hospital Estadual vai organizar e realizar o concurso, que será aberto à toda a sociedade, inclusive aos funcionários do hospital”, explica o superintendente.

Mudança

No último dia 8, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru fez reunião com os funcionários para explicar as conseqüências da mudança para a categoria. A reação foi favorável, segundo Rocha. “De acordo com o que o sindicato nos passou, de 140 funcionários, apenas 15 foram contrários a esse acordo”, diz.

O contentamento dos funcionários, que correm o risco de ficar desempregados caso não consigam ser aprovados no concurso que o HE irá promover, talvez possa ser explicado pela falta - ou deficiência - de informação sobre a mudança.

No final da tarde de ontem, o JC esteve em frente ao Hospital Manoel de Abreu durante uma troca de turno dos profissionais que trabalham na instituição. Nenhuma das pessoas consultadas tinha conhecimento sobre a possibilidade da realização de um concurso público ou de uma demissão definitiva em massa.

“Tivemos a informação de que o Estado pretende ficar com os funcionários e apenas fazer uma avaliação do trabalho de cada um dentro do seu setor”, afirmou, convicta, a auxiliar administrativo Ana Maria Arantes dos Santos, que trabalha no hospital há 14 anos.

Uma outra funcionária, que se identificou apenas como Daiana, afirmou que seus colegas de trabalho apenas sabem que serão demitidos e indenizados. “Só por isso todos concordaram com a mudança (da administração do hospital). Se os funcionários forem mandados embora depois desses 90 dias, vai ser ruim para todo mundo”, comenta.

Procurada pela reportagem, a presidente sindicato, Marilsa Sales Braga, enfatizou que foi clara ao informar aos funcionários, durante a reunião, de que todos deveriam se submeter e serem aprovados em concurso público para continuarem a trabalhar no hospital. “Eu orientei, inclusive, que eles estudassem para prestar o concurso e se esforçassem para serem aprovados”, ressalta.